domingo, 11 de novembro de 2012

NOVAS CRIAÇÕES DE LEMBRANCINHAS

Com muita alegria venho expor as novas criações de lembrancinhas dos orixás e de entidades.

Confiram!








AGUARDEM QUE VEM MAIS NOVIDADES POR AI!!! 

ATENCIOSAMENTE FERNANDO T'OSUM

sábado, 10 de novembro de 2012

UMA POLÊMICA EM NOSSOS DIAS: POR QUE JESUS PODE ENTRAR NA ESCOLA E EXU NÃO PODE?




TEXTO ESCRITO POR: Stela Guedes Caputo

No dia 27 de outubro de 2009, um jornal carioca destacou o caso da professora Maria Cristina Marques proibida de dar aulas em uma escola municipal, no Rio, porque utilizava o livro “Lendas de Exu”. 

A professora é umbandista e a diretora dessa escola é evangélica. Maria Cristina relatou diversas humilhações, desde ser acusada por mães de alunos de fazer “apologia ao Diabo” à colocação de um provérbio bíblico na sala dos professores chamando-a de mentirosa. 

Ao lerem a notícia deste caso, certamente muitos sentiram na pele as humilhações sofridas por Maria Cristina. Isso porque é muito comum que professores e professoras, alunos e alunas praticantes de candomblé ou umbanda sejam discriminados nas escolas.

A questão é complexa e podemos fazer muitas perguntas a respeito, mas farei aqui apenas uma: por que Jesus pode entrar na escola e Exu não pode? Por que um Jesus louro, coberto por uma túnica branca, pode estar em um dos livros da coleção para o Ensino Religioso católico, destinada à rede pública e lançada em 2007 pela Cúria Diocesana? A resposta que tenho não agrada. 

Exu não entra na escola porque este país é racista e, por isso, o racismo está presente na escola. Também acredito que atravessamos uma fase de avanço significativo dos setores conservadores na educação pública. A manutenção da oferta do ensino religioso na Constituição de 88, a aprovação deste como confessional no Rio, o lançamento dos livros didáticos católicos em 2007, a Concordata Brasil-Vaticano aprovada pelo Senado em outubro deste ano. 

Tudo parece fragmentado, mas não é. Trata-se de vitórias lentas e sigilosas que ampliam, reforçam e legitimam as circunstâncias necessárias para que a discriminação sofrida por Maria Cristina continue sendo uma prática bastante comum em nossas escolas públicas.

A Mãe-de-santo e escritora Beata de Yemanjá, acredita que a discriminação de sua religião acontece porque “pensam que o Brasil é uma coisa só. Por isso nos discriminam e a nossas religiões. Isso é racismo”, diz ela. 

O pesquisador Antônio Sérgio Guimarães concorda e defende em diversos livros que qualquer estudo sobre racismo em nosso país deve começar por notar que, aqui, o racismo foi, até recentemente, um tabu e que os brasileiros se imaginam numa democracia racial, fonte de orgulho nacional que serve como prova de nosso status de povo civilizado. 

Para este autor, essa pretensão a um anti-racismo institucional e as regras de pertença nacional suprimiram referências a sentimentos étnicos, raciais e comunitários, contribuindo para a nação brasileira imaginada numa conformidade cultural em termos de religião, raça, etnicidade e língua. 

É por isso que o racismo brasileiro é do tipo heterofóbico, ou seja, um racismo que é a negação absoluta das diferenças, que pressupõe uma avaliação negativa de toda diferença, implicando um ideal (explícito ou não) de homogeneidade (ou uma coisa só, como diz Beata).

Quando a diretora de uma escola proíbe um livro de lendas africanas ela quer apagar a diversidade presente na sociedade e na escola, quer silenciar culturas não hegemônicas, como as afro-descendentes. 

Mas como, se a professora discriminada é branca? A professora é branca, mas Exu é negro. Um poderoso e imenso orixá negro. É o orixá mais próximo dos seres humanos porque representa a vontade, o desejo, a sexualidade, a dúvida. 

Por que esses sentimentos não são bem-vindos na escola? Por que a igreja católica tratou de associá-lo ao mal e ao Diabo (ao seu Diabo) e muitas escolas incorporam essa lógica conservadora, moralista, hipócrita e racista. 

Exu, no livro proibido, afirma que este país tem negros com diferentes culturas que se entendidas como modos de vida, podem incluir diferentes modos de ver, crer, sentir, entender e explicar a vida. 

Isso não pode, porque na escola só entra o Jesus lourinho dos livros didáticos católicos (esses são bem-vindos). Positivo foi que muitos professores e professoras se manifestaram contra o ocorrido. 

Além disso, a Secretaria Municipal de Macaé publicou nota criticando a discriminação e apoiando a professora, o que evidencia, da mesma forma, que a escola não é “uma coisa só”. 

Por isso, é nas suas tensões cotidianas que devemos fazer, também cotidianamente, a luta contra o racismo de todo tipo, inclusive este, disfarçado de intolerância religiosa.

Para encerrar podemos fazer novas perguntas: a professora silenciada lecionava literatura. Digamos que ensinasse História da África, como ensinar essa disciplina tornada obrigatória? Amputando suas culturas, entre elas, o candomblé e seu riquíssimo panteão de orixás? Alguém questiona quando a disciplina de História fala do catolicismo? Da reforma protestante? Esses conteúdos fazem parte do ensino regular de História (por isso, entre outras coisas, o Ensino Religioso não é necessário). 

As culturas com suas religiões também fazem parte do ensino de História da África. Como é que vai ser? Pais e professores arrancarão as páginas desses livros? Ou eles já serão confeccionados mutilados pelo racismo? Respondo com a saudação ao orixá excluído da escola (só podia ser ele a armar tudo isso): Laro oyê Exu! Para que ele traga mais confusão e com ela, o movimento, a comunicação e a transformação onde reina.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Porque Orunmilá é o Deus da Divinação? Porque as Outras Divindades Jogam Búzios?





Quando Orisa Nlá Oseregbo criou 401 crianças, ele também criou 401 profissões, ele também criou 401 talentos. Orisa Nlá Oseregbo disse que, cada criança deveria escolher o seu talento. 


Havia o pequeno Orunmilá, que por ser fraco não tinha condições de segurar uma enxada. Para ele, até segurá-la era difícil, não hav
ia trabalho fácil para Orunmilá.

Orisa Nlá Oseregbo então disse que ele seria Divinador! Orunmilá perguntou: ”que tipo de Divinador”? Orisa Nlá Oseregbo respondeu: “Para tudo o que as pessoas buscarem por você”. Ele presenteou Orunmilá com a bolsa da divinação. Ele disse que se alguém quisesse algo, deveria ir à Orunmilá.

Orunmilá perguntou: “Mas pai, e as folhas? como recomendar o que fazer”? Ele pegou e disse: “Orunmilá, se a mulher não estiver conseguindo ganhar um filho será essa folha. Se uma pessoa estiver com dores no estômago, você deverá indicar essa folha”. Depois desse dia, nunca mais ninguém foi à Oseregbo saber das coisas, tudo deve ser perguntado à Orunmilá.

As outras 400 Divindades também queriam o poder de Orunmilá. Mas Oseregbo lhes disse: “Ògún, você é muito forte, deverá trabalhar na lavoura, Òsóòsì é ágil será caçador e, assim com todos”. 

Mas Osun, não deixava Orunmilá ter descanso, ela fazia com que multidões procurassem Orunmilá e insistentemente pedia para ele a ensinar, até que um dia conseguiu.

Mas Orunmilá ensinou Osun a jogar com os dezesseis búzios e não com os seus Ikin. Osun então ensinou muitas Divindades a jogar, mas não todas.

Osun ensinou principalmente Obaluwaiye, o dono do búzio. Ele falou: “você poderá usar os meus búzios, mas somente se me ensinar a usá-los para Divinar”. Assim Obaluwaiye tornou-se um grande “olhador”. Assim Osun tornou-se uma grande Divinadora.

Por causa de Osun, as 400 Divindades começaram a Divinar com os dezesseis búzios.

Que Òsùmàrè Aràká continue olhando e abençoando todos!
Casa de Òsùmàrè.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

RELIGIÃO E EDUCAÇÃO


Religião & Educação. 

O sagrado constitui uma categoria universal da experiência humana. Uma das formas de relacionar-se com essa categoria é através do que conhecemos por religião. 

A religião e a noção de religiosidade estão entre nós desde sempre. A experiência religiosa, dizem alguns, está na base da ação social e dá-lhe sentido. 

Religião seria o resultado do que somos capazes de registrar em relação ao inefável e religiosidade seria a disposição do indivíduo para integrar-se às coisas sagradas. 

Advindo do latim, re-ligare, pode ser um conjunto de práticas e crenças relacionadas com o transcendental, que tem como elementos derivativos os rituais, os códigos e as leis morais. Enquanto algumas encontram a base de tais códigos e leis nos dogmas, outras têm preceitos e interdições.

A religião dá-nos, através dos ritos, mesmo que mínimos, uma noção de segurança - um como se - que transforma o mundo ameaçador e enigmático - como diria Bronislaw Malinowski (1884-1942), um dos fundadores da antropologia social. 

A religião é um fenômeno social e individual, inextricavelmente ligado a outros aspectos da cultura e da sociedade. Um exemplo disso é o fato de que, embora hoje, em África, as religiões tradicionais representem uma porcentagem menor que segmentos cristãos e islâmicos, ainda persistem a idéia de que “nascer, casar e morrer” tenha que ser permeado por tais tradições de alguma forma.

A essência das religiões tradicionais do continente africano é, ao que parece, a criatividade e a emoção – importante legado para nossa afro-brasilidade. Afirma-se que a religiosidade tradicional de África possui uma interação muito flexível e fluida no ambiente institucional no qual opera. 

Os africanos em diáspora foram capazes de criar e recriar expressões de sua religiosidade tradicional em várias situações, reagindo a mudanças, perigos e possibilidades. A religião não está longe da idéia de oficio, tendo seu foco central na ação. 

Parte de uma estratégia de sobrevivência, de estar no mundo, de corporeidade no chão que se pisa, servindo a fins práticos, imediatos ou remotos, sociais ou individuais. O que não exclui possibilidades de contato com o transcendental. 

Velhos significados são remontados em novas formas e sentidos possíveis em cada realidade. Essa transformação foi fundamental no desenvolvimento da maioria das manifestações religiosas das Américas. 

Sendo primordialmente voltada para o grupo, as experiências coletivas e individuais são expressas na vivência da comunidade religiosa. Nei Lopes afirma: “embora as religiões negro-africanas tenham suas peculiaridades, todas comungam de uma ideia central, segundo a qual a vontade do ser supremo manifesta-se por meio de heróis fundadores, entre eles vivos ou espíritos dos antepassados. 

Há, portanto, uma ontologia negro-africana, uma estrutura religiosa, embora os africanos não tivessem durante muito tempo um termo equivalente ao termo ocidental religião”. Um vasto continente, cuja população “modelou” o outro – oponente ou parceiro – de tal maneira que não somente transformou o outro, mas também se adaptou, impregnando o conhecimento da noção de relatio, uma síntese criativa, coração e expressão da experiência religiosa africana e afro-americana. 

A ontologia que se configura explica o significado da vida, enquanto corpo e matéria, a criação do mundo, as relações entre os seres visíveis e invisíveis. Há a busca por explicar o permanente combate e recorrente inter-relação entre o bem e o mal, a vida e a morte, saúde e doença, prazer e dor, contentamento e sofrimento, fartura e escassez... saberes e fazeres expressados e mantidos através da oralidade, por gerações. 

E esta ação pode aquecer geração ainda não nascida se utilizarmos os aprendizados e debates sobre tal legado como subsídio educativo, jamais meramente ilustrativo, mas constituinte de nossa história e cultura.

Precisamos conhecer como se processa a cosmovisão “africana” buscando suas dimensões, e sua recriação no Brasil. Esse intento responde à renovação curricular que visa fortalecer o reconhecimento positivo das contribuições dos negros à sociedade brasileira.

Aproximadamente quatro milhões de africanos escravizados chegaram aos nossos portos em sucessivas levas, trazendo anseios, crenças e muito conhecimento. 

Trouxeram consigo o cabedal de memórias, tudo que fica além do esquecimento, algo que constrói e vivifica. Muitos sucumbiram, mas todos provaram sua resiliência cotidianamente. Aquele que resistiu, o fez em corpo, verbo, som e gesto. Corpo enquanto lugar, que recebe o eterno e o realiza.

As tradições aqui mantidas resistiram pela força deste corpo que se fez verbo pelo poder que a palavra traz. Mito reiterado no calor dos cânticos, no frescor das ervas, no cozimento das oferendas, no destemor dos combates.

O conceito de ancestralidade mítica compreende um tempo numa composição de eventos que aconteceram, estão acontecendo ou acontecerão num futuro próximo. 

Para fazer sentido, o tempo tem de ser experimentado, assim se tornando real. É através da sociedade, presente e passada, que ele é vivenciado. Tal sociedade pode ser a de hoje, mas pode ser e ter a mesma potência àquela de muitas gerações anteriores. 

Cada grupo, cada nação, cada casa religiosa tem um história, que se move do instante em que se vive para o enorme passado, uma história orquestrada pelo mito.

Há inumeráveis mitos no continente africano que narram à criação do universo, a origem do homem. O passado não está perdido, é lugar cheio de atividades e acontecimentos. 

Aqui o lugar corpo-memória se funde à pedagogia do cotidiano – intermediando as relações com o Todo. Aqui, no Novo Mundo, homens e mulheres lembrou-se de suas tradições ancestrais o que estava mais próximo de seus sentimentos e mentes. 

Como os poderes cósmicos permeiam a vida, o gênero humano escolhe manter tais poderes, destruí-los ou enfraquecê-los por meio de sua experiência. O ato ritualístico nesta perspectiva é validado no aqui-e-agora, na temporalidade do instante, porque tal momento contém o universo.
Oxumarê cuide de nosso futuro.

Casa de Oxumarê.

COMO ORUNMILÁ TORNOU-SE IMORTAL


Como Orunmilá tornou-se imortal

Orunmilá estava querendo fixar moradia na terra da morte e da doença, mas como era sabedor de que ninguém podia viver lá, resolveu consultar o oráculo para saber o que deveria fazer, para que essa terra fosse boa para ele. 

Os Deuses lhe falaram que ele deveria realizar uma determinada oferenda e lhe disseram como ele deveria proceder diante de Iku (Morte) e Arun
(Doença). Orunmilá fez conforme a recomendação dos Deuses.

Quando ele chegou a terra, era a casa da morte, a casa da doença, e dos 16 Males. Assim que ele acendeu o fogo para poder preparar a sua refeição, Iku olhou para ele. Iku se perguntou: “Quem é esse que vai viver aqui na nossa terra”? Arun disse: “Você Iku deve ir lá saber e mata-lo, essa é a nossa terra”. Iku pegou seu Opaosoro e foi onde estava Orunmilá. Quando lá chegou, Orunmilá disse: “venha, sente-se e coma da minha comida”. A morte comeu e bebeu, mas a comida e bebida estavam preparadas por Orunmilá. Depois de satisfeita Iku resolvei ir embora. Orunmilá lhe disse: “Leva essa galinha para você e para seus amigos”.

Quando Iku retornou ele disse: “Amigos, devemos ter mais calma e não matar o forasteiro agora”. Doença respondeu: “Calma? Você Iku nos pede para ter calma em levar alguém”?
Doença resolveu então ir ver Orunmilá. Quando lá chegou Orunmilá lhe deu comida e bebida. Doença lhe perguntou: “As pessoas já devem ter falado sobre nós, sobre quem somos e sobre como somos, correto”? Orunmilá respondeu: “Não, ninguém me contou nada sobre vocês”. Doença indagou novamente: “Então, porque você está fazendo isso conosco”? Orunmilá respondeu: “Estou fazendo o que sempre fiz com todos que conheço”. A doença então disse: “Eu sou a doença, aquele que veio antes de mim é a morte, nessa terra mora a discórdia, a luta, a briga, os 16 males, mas nós o deixaremos em paz, não vamos mexer com você e com os seus”.

Todos que passavam por dificuldade, que estavam doentes, a beira da morte iam pedir ajuda à Orunmilá. Orunmilá após verificar se a pessoa era merecedora de sua benevolência dizia a doença e a morte para pedir que a deixasse em paz. Dessa forma Orunmilá tornou-se imortal e conseguiu cada vez mais seguidores e prestígio.

Que Òsùmàrè Aràká continue olhando e abençoando todos.
Casa de Òsùmàrè

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

NÃO DEIXE QUE UM PEQUENO PROBLEMA SE TRANSFORME EM UMA GRANDE CATÁSTROFE



Não deixe que um pequeno problema se transforme em uma grande catástrofe!!!

A Religião dos Òrìsàs nos ensina a entender como devemos nos portar diante das grandes dificuldades da vida, mas ela, de forma muito sábia, nos ensina igualmente a refletir sobre os pequenos problemas que, caso não sejam resolvidos desde o início, poderão se transformar em problemas insolúveis. Essa é uma das razões para 
do Terreiro de Òsùmàrè estar paulatinamente participando os diversos ensinamentos que o Candomblé nos oferece.

Hoje, vamos expor uma antiga história Nàgó, que discorre sobre como o pequeno pássaro Adagba, conseguiu vencer o grande Elefante Ajanakú.

Adagba era um pássaro que sempre desejou ser admirado e reconhecido por todos e um dia tramou uma estratégia para conseguir realizar o seu objetivo. Certa vez, quando todos os animais estavam reunidos, Adagba disse em alto e bom tom que ele, mesmo pequeno como era, conseguiria vencer o grande Ajanakú (Elefante) em uma batalha. O Elefante, por sua vez, gargalhou, pois jamais um pequeno pássaro conseguiria lhe vencer. Adagba disse que Ajanakú estava com medo e que estava fugindo da disputa. Ajanakú então disse que, já que Adagba era tão destemido ele o grande elefante iria lutar com ele. Essa história chegou ao rei, Dada Bayanni Ajakú, que disse que queria assistir essa luta, marcando a mesma para o dia seguinte.

Adagba pegou três pequenas cabaças e colocou em cada uma, um elemento. Na primeira colocou uma pasta de Osun (imitando o sangue), em outra colocou uma pasta com Efun (imitando pedaços da massa encefálica) e na última, uma pasta com Aro (preta como a gangrena). Ele pendurou cada uma das pequenas cabaças debaixo de suas asas e foi diante do palácio de Dada Bayanni. Quando lá chegou, Ajanakú já estava lhe esperando, rindo que seria muito triste ter que acabar com um pequeno pássaro. Dada Bayanni ordenou que a batalha fosse iniciada.

Adagba logo pousou sobre a cabeça do Elefante. Ajanakú tentava pegar Adagba com a sua tromba, mas ele era muito ágil e com muita destreza conseguia escapar dos golpes do grande Ajanakú. 

Passado algum tempo assim, Adagba pegou a pasta de Osun e sorrateiramente derrubou na cabeça de Ajanakú. A media que o Elefante tentava golpear Adagba, ele espalhava a pasta na sua cabeça e tromba, fazendo com que todos começaram a gritar:

Ajanakú está sangrando!!! 
“Ajanakú está sangrando!!! 
“Ajanakú está sangrando!!! 

O Elefante ficou muito irritado e começo a tentar golpear Adagba ainda mais forte, no entanto, sem sucesso, sendo que o pequeno pássaro era muito ágil. Adagba começou a gritar que já havia tirando sangue de Ajanakú e que também iria tirar restos do seu cérebro.

Feito isso, ele derramou a pasta de Efun e todos gritaram: 

O cérebro de Ajanakú está saindo de sua cabeça!!!
O cérebro de Ajanakú está saindo de sua cabeça!!!
O cérebro de Ajanakú está saindo de sua cabeça!!!

Ajanakú ficou furioso dizendo que isso era impossível, pois ele não estava sentindo nada e cada vez mais irritado portava-se como um louco, tentando golpear Adagba sem sucesso. Por fim, o pequeno pássaro derramou a pasta de Aro, exclamando: “Pronto, esse Elefante está derrotado, vejam todos os fluídos saindo da cabeça do Elefante”. Com Dada Bayanni Ajakú não gostava de batalhas sangrentas, ordenou o fim da disputa, conclamando Adagba como o grande vencedor.

Furioso, Ajanakú começou a bater sua cabeça nas árvores até que não aguentasse mais e, por fim, morrendo...

Esse história Nàgó nos mostra que devemos tomar sempre muito cuidado, pois aquilo que parece um pequeno problema, pode se tornar insolúvel.

Que nosso Pai, Òsùmàrè Aràká continue olhando e abençoando todos!!!

Terreiro de Òsùmàrè.

Como o Mar Tornou-se o Soberano Diante de Todos os Fluxos de Água?




Como o Mar Tornou-se o Soberano Diante de Todos os Fluxos de Água?

Uma antiga história Nàgó conta que Olokun Isemiade consultou Ifá para saber como ser o soberano entre todos os fluxos de água. Ifá disse à Olokun:

“nós devemos nos recusar a sermos amedrontados pelo sofrimento; nós devemos nos recusar a sermos amedrontados por insultos; nós devemos enfrentar todas as dificuldades e insultos. Ifá 
disse que, após o sofrimento e que após os insultos, as bênçãos chegariam. Ifá disse que esse é o caminho para ele tornar-se soberano entre todos os fluxos de água”. Ifá disse ainda que Olokun deveria realizar um determinado tipo de oferenda para ser o soberano. Olokun fez todas as oferendas que Ifá o orientou e assim, conseguiu aplacar os Deuses.

Uma grande chuva caiu e os restos de milhares de cabaças foram parar no mar, no entanto, Olokun os aceitou e não recuou. Olokun se lembrou que Ifá lhe disse que ele não deveria se amedrontar. O mesmo ocorreu com o rio, mas o rio recuou para não receber o resto das cabaças e, nesse momento, Olokun tomou uma parte que lhe pertencia. O mesmo aconteceu com a lagoa, que recuou para não receber os restos das cabaças e Olokun tomou uma parte que lhe pertencia.

Dessa forma, Olokun invadiu o rio e a lagoa, tornando-se soberano entre todos os fluxos de água!

Que Òsùmàrè Aràká continue olhando e abençoando todos.
Casa de Òsùmàrè