terça-feira, 5 de junho de 2012

FALANDO SOBRE MEDIUNIDADE - PARTE 16

Centro Espírita Allan Kardec
Passo Fundo – RS 

Mediunidade Publicado em 9 de fevereiro de 2010 por admin

CONCEITO

É a faculdade humana que permite a relação entre os homens e os espíritos. É a manifestação do espírito através de um corpo alheio.

QUEM É MÉDIUM? 

É todo individuo que sente em maior ou menor intensidade a interferência dos espíritos.

MEDIUNIDADE

A mediunidade é uma só, é um todo, mas pode ser encarada em vários aspectos funcionais que são formas variadas de sua manifestação. Kardec a dividiu, para efeito metodológico em duas grandes áreas bem diferenciadas: a mediunidade de efeitos inteligentes e a mediunidade de efeitos físicos.

MEDIUNIDADE NATURAL

Característica è Natural è Generalizada. A terminologia espírita adotada por Kardec é simples e precisa. Mas no tocante às duas áreas fundamentais de efeitos inteligentes e físicos, era necessário um acréscimo. Além dessa divisão fenomênica, havia o problema da divisão funcional.

Kardec notou a generalização da mediunidade e os espíritos o socorreram, como se vê no Livro dos Médiuns, como uma especificação curiosa. Temos assim duas áreas de função mediúnica, designadas como mediunidade generalizada e mediunato.
A primeira corresponde a mediunidade natural que todos os seres humanos possuem e a segunda corresponde a mediunidade de compromisso, ou seja, de médiuns investidos espiritualmente de poderes mediúnicos para finalidades especificas na encarnação, esta exige desenvolvimento e aplicação durante toda a vida do médium.

É E permanece geralmente em êxtase, com manifestações moderadas e quase imperceptíveis, ou seja, discreta e sutil.

A falta de conhecimento dessa divisão acarreta dificuldades e inconvenientes na prática mediúnica, particularmente nos trabalhos de centros e grupos. A mediunidade natural e generalizada não é propriamente uma forma de energia que permanece no organismo corporal no estado letárgico. É simplesmente a disposição natural do espírito para expandir-se, projetar-se e entrar em relação com outros espíritos.

Nossa mente funciona, segundo acentua Jonh Chinwald em seu estudo sobre relações inter-pessoais, como ativo centro emissor e receptor de pensamento. Estamos sempre conversando sem o perceber. Muitos dos nossos monólogos são diálogos com outras pessoas ou com espíritos.

Emmanuel e André Luiz, pelo Chico Xavier, diferem se a inquirições mentais que certos espíritos nos fazem seja para avaliar o nosso estado mental e ajudar-nos a corrigi-los, seja para fins obsessivos. Um obsessor se aproxima de nós e sugere mentalmente o nome ou figura de uma pessoa. Começamos a pensar nessa pessoa e a desfilar na mente os dados que possuímos sobre ela.

O obsessor insiste e sem percebermos, vamos dando a ficha da pessoa ou as nossas opiniões sobre ela. Ajudamos o obsessor sem saber. De outras vezes ele pretende saber qual é a nossa posição em determinado caso de desentendimento a respeito de seu amigo. Nós a revelamos e ela passa a envolver-nos num processo obsessivo. Por isso Jesus aconselhou: Vigiai e orai. Devemos vigiar os nossos pensamentos e orar por aqueles que consideramos em erro.

Se assim o fizermos, certamente nos livraremos de muitas perturbações, e muitos aborrecimentos desnecessários. Os colóquios do homem são sempre observados pelas testemunhas invisíveis, boas ou más, que nos cercam.

A mediunidade natural funciona como imanente no nosso psiquismo, faz parte da nossa constituição humana. Recorrem às casas espíritas muitas pessoas perturbadas e até obsedadas, que em geral são consideradas como médiuns em fase de desenvolvimento. O que não passam de vítimas de perseguições de espíritos inferiores, resultante de inquirições mentais dos mesmos.

Precisam de passes, de participações nas sessões, mas não sentar-se à mesa mediúnica para educar a mediunidade. Após tratados livram-se dos sintomas, pela própria correção de seu pensamento em relação a vida, em relação as pessoas.

Essas pessoas não estão investidas do mediunato e não precisam educar a mediunidade. Esta lhe serve para guiar-lhe na vida através de intuições e percepções extra-sensorial. Os problemas obsessivos serviram para aproximá-la do espiritismo, se continuar compreenderá o enredo da providência a seu beneficio.

As pessoas não dotadas de mediunato podem ser muito sensíveis e intuitivas, dispondo de percepções eficazes em todas as circunstâncias, que podem ser aproveitadas no movimento espírita, depois de tratados e instruídos. As obsessões não são produzidas apenas por espíritos. Há casos de obsessões telepáticas, provocadas por pessoas vivas.

Kardec tratou desses casos referindo-se à telepatia como telegrafia humana. Sentimento de aversão, de ódio, de vingança, acompanhado de pensamentos agressivos, podem dar a impressão de verdadeiros processos de obsessão por espíritos inferiores. Estes geralmente se envolvem e nas sessões, passam como os responsáveis nas perturbações que intrometeram-se, enganando dirigentes menos visados.

O Dr. Ehrenwal relata um caso da sua clinica psicanalítica, em que um rapaz era rejeitado pelos companheiros de pensão. A rejeição era oculta, pois todos fingiam apreciá-lo. Afastando o paciente para outro meio, os sintomas obsessivos desapareceram gradualmente, na proporção em que os algozes o esqueciam.

A mediunidade natural aflora, às vezes, dadas as circunstâncias favoráveis, numa eclosão semelhante à educação mediúnica. Há casos de premonição que surgem de perigo eventual, casos de vidência passageira, que parecem sintomas de mediunato em eclosão.

É difícil saber-se de imediato, o que se passa, principalmente em virtude do estado emocional dos pacientes. Mas basta uma observação paciente, com que freqüência às sessões mediúnicas para logo se verificar que se trata apenas de ocorrências isoladas e ocasionais. A mediunidade natural tende sempre a voltar à sua acomodação no psiquismo normal e manifestando-se de forma generalizada, como eclosão da mediunidade intuitiva, pois é o prelúdio da mesma.

O que às vezes complica é a insistência do desenvolvimento mediúnico ou aplicações terapêuticas de choques e dosagens excessivas de drogas nos receituários médicos.

MEDIUNATO

A mediunidade ativa ou mediunato, não age de maneira discreta e sutil, como a mediunidade generalizada. Pelo contrário, extravasa agitada em fenômenos de captação e projeção, não raro explodindo em casos de obsessões.

É chamada mediunidade de serviço, destinada ao auxílio e ao socorro do próximo. Decorre de compromissos assumidos no Plano espiritual, seja para auxiliar indiscriminadamente os que necessitam de ajuda e orientação, seja para o resgate de dívidas morais do passado com entidades necessitadas, cujo estado inferior se deve, em parte ou totalmente, a ações do médium em vidas passadas.

O médium não desfruta apenas as vantagens da mediunidade generalizada, pois vê-se investido de uma missão mediúnica a que os espíritos deram o nome de mediunato.

Neste caso o médium é continuamente solicitado para atender a entidades desencarnadas carentes de auxílio e elucidação. Se rejeita seu compromisso ou tenta protelá-lo, fica sujeito a perturbações e finalmente a obsessões. Não obstante o determinismo implícito no mediunato, o seu livre arbítrio continua inato.

Assim como escolheu e pediu essa situação ao voltar a encarnação, assim também poderá agora optar pelo cumprimento ou não do compromisso, arcando com as conseqüências da fuga ao dever.


O mediunato é também concedido em caso de assistência ao próximo e ajuda a humanidade, como nos mostra o exemplo histórico das meninas Baudim, Julia e Carolina com 14 e 16 anos, em Paris, cuja mediunidade admirável garantiu o êxito da missão de Kardec. Mas o Próprio Kardec não era médium, porque a sua missão era cientifica e não mediúnica.

Não era um profeta, nem um vidente ou messias. Era um pesquisador incansável e exigente. A volumosa, minuciosa e inabalável obra que deixou, formando um maciço de mais de vinte volumes de quatrocentas páginas em média, mostra porque ele não podia dispor de um mediunato. Tina de dedicar-se inteiramente, como se dedicou até a exaustão, ao trabalho intelectual.

É grandiosa a epopéia humilde desse pesquisador solitário de uma ciência que todos combatiam e ridicularizavam. Para compreender melhor a razão pela qual Kardec não teve mediunato, basta lembrar o caso de Swedenborg, na Suécia, e de Andrew Jakson Davis nos Estados Unidos. O primeiro era dos maiores sábios do século XVIII, amigo de Kant e foi o precursor do espiritismo, dotado de extraordinária vidência, mas perdeu-se nas sua próprias visões, fascinado pela realidade invisível, acabou criando uma seita eivada de absurdos.

O segundo, também vidente, lançou uma série de livros em que o fantástico supera as possibilidades do real. Os fenômenos mediúnicos são mais difíceis de se examinar com frieza. O médium não escapa aos impactos emocionais dessas manifestações, como Kardec viu no próprio exemplo de Flammarion.

Por outro lado, a condição de médium o tornaria suspeito aos olhos desconfiados dosm homens de ciência. Mesmo no meio espírita o critério de Kardec ainda não foi suficientemente compreendido. Há os que censuram o seu comedimento em tratar de assuntos melindrosos da época. Não entendem o valor do Livro dos Médiuns e vivem a procura de novidades apresentadas em obras mediúnicas suspeitas.

A vidência, como todas as formas de mediunidade pode ocorrer ocasionalmente a qualquer pessoa, mas a sua ação permanente, nos casos de mediunato pode bloquear a razão e excitar o misticismo.

Nestes casos místicos está sujeito a enganos fatais. O espírito encarnado está condicionado à vida do plano material, não dispondo de segurança para lidar com problemas do Plano Espiritual, pois seu inconsciente destina-se a funcionar normalmente na vida futura ou seja, no Plano Espiritual. Kardec observou tudo isso com rigor através de pesquisas incessantes publicadas na Revista Espírita.

O mediunato da vidência existe, mas para fins de auxílio às pesquisas ou para as demonstrações da verdade espírita. A codificação não é obra de vidência, mas de pesquisa cientifica realizada por Kardec sob orientação e vigilância dos Espíritos Superiores.

Ao tratar de assuntos espíritas estamos agindo num campo magnético em que se digladiam as forças do bem e do mal. Nem sempre sabemos distingui-las com segurança e podemos deixar-nos levar por correntes de pensamentos desnorteantes.

A obra de Kardec é a bússola em que podemos confiar. Ela é pedra de toque que podemos usar para aferir a legitimidade de ou não das pedras aparentemente preciosas que os garimpeiros de novidades nos querem vender.

Essa obra repousa na experiência de Kardec e na sabedoria do Espírito de Verdade. Se não confiamos nela, é melhor abandonarmos o espiritismo. O mediunato exige o nosso esforço contínuo na luta para sustentação da verdade espírita no mundo.

Nosso Livre arbítrio não pode ser violado, mas quando aceitamos as mistificações de pretensos reformadores usamos o livre arbítrio na escolha infeliz que então fazemos.

Extraído do Livro mediunidade de Herculano Pires. 

FALANDO SOBRE MEDIUNIDADE - PARTE 15

Mediunidade de Prova
Aureliano Alves Netto 

A mediunidade é ensejo de serviço e aprimoramento, resgate e solução.
Emmanuel 

Quando Arigó foi tragicamente vitimado num desastre automobilístico alguém nos manifestou sua estranheza: 

- Pois quê! Não era um médium prodigioso? 

- Era, sim - respondemos -, mas isso não lhe conferia nenhum privilégio. O acidente fazia parte de sua provação. Agora está liberto. 

O diálogo sugeriu-nos esta crônica: 

Mediunidade, segundo alguns autores, é faculdade psíquica paranormal latente em todo indivíduo; e, na opinião de outros, faculdade de origem exclusivamente fisiológica. 

O escritor espírita argentino Natálio Ceccarini entende que a mediunidade não é uma aptidão orgânica e sim um "atributo da alma que se exterioriza através do mecanismo mental, organização psíquica, sistema nervoso do dotado". 

Porém, a nosso ver, a melhor definição é a de Emmanuel: 

"Sendo a luz que brilha na carne, a mediunidade é atributo do Espírito, patrimônio da alma imortal". 

A bem dizer, o fenômeno mediúnico surgiu com o próprio aparecimento do homem sobre a Terra. Entretanto, somente após o advento do Espiritismo passou a ter sua adequada conceituação e ser objeto de estudo científico e prática metodizada, em âmbito universal. 

Em O Livro dos Médiuns, ensina Kardec. 

"Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. Por isso mesmo, raras são as pessoas que dela não possuam alguns rudimentos. Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns. Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva". 

Difícil, senão impossível, o escalonamento rigoroso das categorias de médiuns, em virtude da imensa variedade dos fenômenos. De modo genérico, no entanto, parece-nos que, exceto alguns poucos Missionários como Antúlio, Crispa, Buda e Pitágoras, portadores da chamada "mediunidade natural", ou mais propriamente, do dom da intuição Pura, todos os demais que estabelecem intercâmbio espiritual com o "outro mundo" apenas exercitam a mediunidade de prova. 

Estas palavras de Emmanuel fortalecem nosso ponto de vista: 

"Os médiuns, na sua generalidade, não são missionários, na acepção comum do termo: são almas que fracassaram desastradamente, que contrariaram sobremaneira o curse das leis divinas e que resgatam. sob o peso de severos compromissos e ilimitadas responsabilidades, o passado obscuro e delituoso. O seu pretérito, muitas vezes, se encontra enodoado de graves deslizes e de erros clamorosos. Quase sempre são espíritos que tombaram dos cumes sociais pelo abuso do poder, da autoridade, da fortuna e da inteligência, e que regressam ao orbe terráqueo para se sacrificarem em favor do grande número de almas que se desviaram das sendas luminosas da fé, da caridade e da virtude". 

Em seu livro A vida de Ultratumba, Rufina Noeggerath registra esta comunicação ditada pelo Espírito Henrique Delaage: 

"A mediunidade não é um dom na acepção comum da palavra; tão pouco é um privilégio. Cada pessoa vem à Terra com uma faculdade mediúnica determinada, inerente à sua natureza, para ter a possibilidade de se comunicar com os desencarnados que, por seu passado, seu presente, e, melhor ainda por seu futuro, estão enlaçados aos mortais". 

A mediunidade constitui-se pois, num instrumento de trabalho para aqueles que retornam à vida corporal as mais das vezes em serviço de reajustamento. Mas, representa, ao mesmo tempo, uma faca de dois gumes. Dotado de livre arbítrio, o reencarnado tanto pode utilizar proficuamente esse instrumento de trabalho, como deixá-lo desaproveitado a enferrujar ou transformá-lo em arma de destruição. 

Assim é que vemos médiuns íntegros ciosos do seu mediunato .como Chico Xavier e Divaldo Franco, para e, numerar apenas os mais conhecidos. Esses estão cumprindo bem a tarefa. Contudo, sem se julgarem isentos das sanções determinadas pela Lei de Causa e Efeito. Em contrapartida, há lamentavelmente outros cujos nomes nem é bom citar, que, ou sempre foram mercenários, ou degeneraram depois de uma atividade honesta e proveitosa. 

De qualquer maneira, o certo é que a lei não poderá deixar de ser cumprida fielmente: a cada um, segundo o seu merecimento. 

FALANDO SOBRE MEDIUNIDADE - PARTE 14

Mediunidade de Prova
Chico Xavier, exemplo de mediunidade e responsabilidade social. 

"Os médiuns, na sua generalidade, não são missionários, na acepção comum do termo: são almas que fracassaram desastradamente, que contrariaram sobremaneira o curso das leis divinas e que resgatam, sob o peso de severos compromissos e ilimitadas responsabilidades, o passado obscuro e delituoso. O seu pretérito, muitas vezes, se encontra enodoado de graves deslizes e de erros clamorosos. Quase sempre são Espíritos que tombaram dos cumes sociais pelo abuso do poder, da autoridade, da fortuna e da inteligência, e que regressam ao orbe terráqueo para se sacrificarem em favor do grande número de almas que se desviaram das sendas luminosas da fé, da caridade e da virtude". – Emmanuel 

O conceito de mediunidade prova, tal qual conhecemos e usamos atualmente, não aparece nas obras e dissertações de Allan Kardec senão nos exemplos em que os médiuns são por ele defendidos contra as calúnias e perseguições. Para Kardec, o médium é uma figura pública que se expõe aos mais terríveis escolhos e julgamentos humanos, na maioria das vezes carregados de ironias e injustiças, como sempre aconteceu em todas as épocas e circunstâncias em que as faculdades psíquicas se manifestam em sociedades supersticiosas, conservadoras e dogmáticas. Foi dessa forma que o Codificador falou dos médiuns dos tempos antigos e dos seus contemporâneos, em especial as irmãs Fox e Daniel Dunglass Home. Mostrou a importância social desses operários da Verdade, mesmo que tais experiências muitas vezes fossem incompatíves e contraditórias em relação à moral doutrinária. Registrou a conduta discreta e moderada dos médiuns educados nas sociedades espíritas, mesmo porque estes também não estavam isentos dos seus compromissos e débitos pessoais. Ele mesmo e Amélie não passaram por momentos tormentosos de preparação e exercício de suas faculdades e tarefas? 

Na literatura espírita a expressão “mediunidade de prova” foi utilizada pela primeira vez em 1940 no clássico “Mediunidade”, de Edgard Armond, o célebre instrutor e pioneiro de cursos para médiuns da Federação Espírita do Estado de São Paulo. Armond se antecipou até mesmo a André Luiz, que só foi utilizar o termo alguns anos após em uns dos livros da famosa série psicografada por Chico Xavier. O antigo projeto de Allan Kardec e de Bezerra de Menezes em criar escolas de espiritismo e treinamento psíquico tinha como meta curricular esclarecer e preparar os médiuns para realizar suas tarefas e missões. Armond e sua equipe transpuseram essas escolas, que são muitos comuns no mundo espiritual, para as instituições espíritas, tal qual planejaram os pioneiros. 

Mas a deserção sempre ronda e assedia o trabalho mediúnico. Os Espíritos inimigos estão sempre atentos e muitos encarnados, incluindo alguns espíritas, contribuem para difundir os precedentes dessa triste fuga dos quadros colaborativos. Alguns confrades realmente não aceitam essa categoria mediúnica, mais por questão de limitação pessoal, do que propriamente por convição intelectual e científica. Como dizia J. Herculano Pires, estes têm dificuldades em aceitar a filosofia espírita como elemento de transformação moral e passam a acreditar que é mais fácil mudar a doutrina e a realidade natural do que a si mesmos. 

Quando Emmanuel publicou a sua opinião acerca do tema, sintetizada na epígrafe acima, tornou-se mais clara a idéia da diferença entre mediunidade natural e de prova, bem como a inevitável comparação entre mediunidade-missão e mediunidade-tarefa, experiências diversas que marcam as especificidades e características dos portadores das faculdades psíquicas. Essa definição do principal mentor de Chico Xavier nos fez entender e lembrar de inúmeras personalidades no exercício mediúnico e posteriormente compreender a difícil experiência de cada um deles na condição do médium. A trajetória dolorosa entre as lágrimas e a resignação não poderia ser de outra forma, não num planeta em que a mediunidade é fator da natureza, mas também é tencologia psíquica e ferramenta evolutiva do Espírito. Compreendemos não só o fenômeno em si, mas também as causas do martírio de pessoas que dedicaram suas existências para difundir a realidade espiritual e também minorar o sofrimento alheio. 

Lembrando Marshal MacLuhan, assim como todos os intrumentos criados pelo Homem são extensões dos limites do corpo, com o Espiritismo aprendemos que a mediunidade é a própria tecnologia psíquica, a extensão revolucionária dos limites da mente. 

No entanto, a mediunidade não precisa ser somente escolhos e lágrimas. Ela poder ser exercida com equilíbrio e alegria, desde que o médium não se rebele contra a natureza e as suas próprias características psíquicas, marcas das suas possibilidades de ação, mas também reflexos dos seus limites pessoais. Diferente dos tempos antigos em que o médium era visto como aberração do sobrenatural, hoje a mediunidade adquiriu liberdade e responsabilidade social. É sacerdócio reconhecido em todas as religiões e filosofias humanistas, em diferentes manifestações culturais, inclusive no campo científico, mas continua sendo fator de risco em caso de abusos humanos. Na escola da Vida Planetária continua sendo o trajeto entre a perturbação e o equilíbrio, o sofrimento e a resignação, o fracasso e a vitória, o débito e o resgate, a estagnação e a evolução, o conhecimento e o auto-conhecimento, a dor e o amor, enfim, o dever e o prazer de ajudar o próximo. 

A habilidade e a competência mediúnica, segundo Jesus 

“A doutrina de Jesus ensina sempre a obediência e a resignação, duas virtudes companheiras muito ativas da doçura, embora os homens erroneamente as confundam com a negação do sentimento e da vontade. A obediência é o consentimento da razão; a resignação é o consentimento do coração. Ambas são forças ativas, pois carregam o fardo das provas que a revolta insensata não suporta. O covarde não é uma criatura resignada, assim como o orgulhoso e o egoísta não são obedientes. Jesus foi a encarnação dessas virtudes desprezadas pela antigüidade materialista. Veio no momento em que a sociedade romana agonizava, destruída pela corrupção. Veio fazer resplandecer, no seio da Humanidade moralmente enfraquecida, os triunfos do sacrifício e da renúncia carnal. Cada época é assim marcada com a característica da virtude ou do vício que a devem salvar ou perder. A virtude da vossa geração é a atividade intelectual; seu vício é a indiferença moral. Digo que é apenas atividade, pois o homem de gênio* se eleva de repente e descobre sozinho os horizontes que a multidão só verá muito depois dele, enquanto a atividade é a reunião dos esforços de todos para atingir um objetivo menos brilhante, mas que comprova a elevação intelectual de uma época. Submetei-vos ao impulso que viemos dar aos vossos Espíritos. Obedecei à grande lei do progresso, que é a palavra da vossa geração. Infeliz do Espírito preguiçoso, daquele que fecha seu entendimento! Infeliz! Pois nós, que somos os guias da Humanidade em marcha, o atingiremos com o chicote e forçaremos sua vontade rebelde com a dupla ação do freio e da espora. Toda resistência orgulhosa deverá ceder, cedo ou tarde. Mas, bem-aventurados aqueles que são mansos, pois receberão com doçura os ensinamentos’. 


Lázaro - Paris, 1863 - Obediência e Resignação - O Evangelho Segundo O Espiritismo 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

FALANDO SOBRE MEDIUNIDADE - PARTE 13


A Mediunidade

É natural que nos comuniquemos com os espíritos desencarnados e eles conosco, porque também somos espíritos, embora estejamos encarnados. 

Pelos sentidos físicos e órgãos motores, tomamos contato com o mundo corpóreo e sobre ele agimos. 

Pelos órgãos e faculdades mentais mantemos contato constante com o mundo espiritual, sobre o qual também atuamos. 

Todas as pessoas, portanto, recebem a influência dos espíritos. 

A maioria nem percebe esse intercâmbio oculto, em seu mundo íntimo, na forma de pensamentos, estados de alma, impulsos, pressentimentos etc. 

Mas há pessoas em quem o intercâmbio é ostensivo. 

Nelas, os fenômenos são freqüentes e marcantes, acentuados, bem característicos (psicofonia, psicografia, efeitos físicos etc.), ficando evidente uma outra individualidade, a do espírito comunicante. 

A essas pessoas, Allan Kardec denomina médiuns. 

Médium é uma palavra neutra (serve para os 2 gêneros), de origem latina; quer dizer medianeiro, que está no meio. 

De fato o médium serve de intermediário entre o mundo físico e o espiritual, podendo ser o intérprete ou instrumento para o espírito desencarnado. 

Mediunidade é a faculdade que permite sentir e transmitir a influência dos Espíritos, ensejando o intercâmbio, a comunicação, entre o mundo físico e o espiritual. 

Sendo uma faculdade, é capacidade que pode ou não ser usada. 

Sendo natural, manifesta-se espontaneamente, mas pode ser exercitada ou desenvolvida. 

Sua eclosão não depende de lugar, idade, sexo, condição social ou filiação religiosa. 

Quem apresenta perturbação é médium? 

Muitas vezes, ao eclodir a mediunidade, a pessoa costuma dar sinais de sofrimento, perturbação, desequilíbrio. 

Firmou-se até um conceito errado entre o povo: se uma pessoa se mostra perturbada deve ter mediunidade. 

Entretanto, a mediunidade não é doença nem leva à perturbação, pois é uma faculdade natural. 

Se a pessoa se perturba ante as manifestações mediúnicas é por sua falta de equilíbrio emocional e por sua ignorância do que seja a mediunidade, ou porque está sob a ação de espíritos ignorantes, sofredores ou maus. 

Não se deve colocar em trabalho mediúnico quem apresente perturbações. Primeiro, é preciso ajudar a pessoa a se equilibrar psiquicamente, através de passes, vibrações e esclarecimentos doutrinários. Deve-se recomendar, também, a visita ao médico, porque a perturbação pode ter causas físicas, caso em que o tratamento será feito pela medicina. 

Para o desenvolvimento da mediunidade, somente deve ser encaminhado quem esteja equilibrado e doutrinariamente esclarecido e conscientizado. 

Sinais Precursores 

A mediunidade geralmente fica bem caracterizada, quando: 

há comprovada vidência ou audição no plano espiritual; 

se dá o transe psicofônico (mediunidade falante) ou psicográfico (mediunidade escrevente); 

há produção de efeitos físicos (sonoros, luminosos, deslocação de objetos) onde a pessoa se encontre. 

Mas nem sempre é fácil e rápido distinguir as manifestações mediúnicas, quando em seu início, das perturbações fisiopsíquicas. 

Eis alguns sinais que, se não tiverem causas orgânicas, podem indicar que a pessoa tem facilidade para a percepção de fluidos, para o desdobramento (que favorece o transe) ou que está sob a atuação de espíritos: 

sensação de "presenças" invisíveis; 
sono profundo demais, desmaios e síncopes inexplicáveis; 
sensações ou idéias estranhas, mudanças repentinas de humor, crises de choro; 
"ballonement" (sensação de inchar, dilatar) nas mãos, pés ou em todo o corpo, como resultado de desdobramento perispiritual; 
adormecimento ou formigamento nos braços e pernas; 
arrepios como os de frio, tremores, calor, palpitações. 

Como Desenvolver a Mediunidade 

Do ponto de vista espírita, desenvolver mediunidade não é apenas sentar-­se à mesa mediúnica e dar comunicações. 

É apurar e disciplinar a sensibilidade espiritual, a fim de tê-la nas melhores condições possíveis de manifestação, e aprender a empregá-la dentro das melhores técnicas e visando as finalidades mais elevadas. 

Esse desenvolvimento mediúnico abrange providências de natureza tríplice: 

Doutrinária

O médium precisa conhecer a Doutrina Espírita para compreender o Universo, a si mesmo e aos outros seres, como criaturas evolutivas, regidas pela lei de causa e efeito.

Atenção especial será dada à compreensão do intercâmbio mediúnico, ação do pensamento sobre os fluidos, natureza e situações dos espíritos no Além, perispírito e suas propriedades na comunicação mediúnica, tipos de mediunidade, etc. 

Técnica
Exercício prático, à luz do conhecimento espírita, para que o médium saiba distinguir os tipos dos espíritos pelos seus fluidos, como concentrar ou desconcentrar, entender o desdobramento, controlar-se nas manifestações e analisar o resultado delas, etc.

Observação: quando se inicia a prática mediúnica, pode ocorrer de os sinais precursores se intensificarem e ampliarem. Não pense o médium que seu estado piorou. 

É que os espíritos estão agindo sobre os centros de sua sensibilidade e preparando o campo para as atividades mediúnicas.Persevere o médium, mantendo o bom ânimo e aos poucos, com a educação de suas faculdades, as sensações ficarão bem canalizadas, não mais causando perturbações. 

Moral
É indispensável a reforma íntima para que nos libertemos de espíritos perturbadores e cheguemos a ter sintonia com os bons espíritos, dando orientação superior ao nosso trabalho mediúnico. A orientação cristã, à luz do Espiritismo, leva-nos à vigilância, oração, boa conduta e à caridade para com o próximo, o que atrairá para nós assistência espiritual superior. 

Livros consultados

De Allan Kardec:
- "O Livro dos Médiuns", 2ª parte, caps. XVII e XVIII. 
De Léon Denis:
- "No Invisível", caps. XXII e XXV.
Fonte: "Iniciação ao Espiritismo", Therezinha Oliveira - Ed EME

domingo, 3 de junho de 2012

FALANDO SOBRE MEDIUNIDADE - PARTE 12

DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO Fonte: Instituto de Difusão Espírita de Juiz de Fora-MG 

Segundo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, no seu Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, desenvolver significa: tirar invólucro, expor minuciosamente, progredir, alargar, instruir-se. E desenvolvimento é o ato ou efeito de desenvolver. 

Desenvolvimento Mediúnico é o ato de fazer crescer, progredir, expor a faculdade que permite aos homens comunicarem-se com os Espíritos. Se nós falamos somente em desenvolvimento mediúnico e não em “criar” mediunidade ou médiuns, é, certamente porque esta faculdade não se cria numa determinada pessoa que não a possua. A mediunidade é uma faculdade tão natural no homem quanto qualquer outro dos cinco sentidos habituais (visão, audição, olfato, tato e paladar). Tomemos o paladar para exemplo. 

Ninguém inventa faculdade inata, pronta para ser utilizada, como que programada por milênios e milênios de existências anteriores, documentada na nossa memória espiritual. É preciso, contudo, em cada existência que se reinicia, reaprender a utilizá-lo adequadamente para selecionar alimentos, definir preferências ou recusar substâncias prejudiciais. Assim também é a mediunidade um atributo físico do homem. 

Os Espíritos afirmam a Kardec [LM-it 226]: "A faculdade mediúnica se radica no organismo". O médium já nasce médium. Cabe-nos portanto, se possuidores da faculdade mediúnica, nos esforçarmos por exercê-la com devotamento e humildade. 

Por que desenvolver a mediunidade?

De posse destes conceitos, forma-se uma nova dúvida em nossa mente: Por que desenvolver a mediunidade? Presença de mediunidade significa necessidade de trabalho na Seara Espírita? Nós sabemos que na Terra estamos rodeados por Espíritos desencarnados que a todo instante, através do pensamento, nos influenciam e são influenciados por nós. Sendo os médiuns, por características próprias de seu corpo físico, indivíduos mais sensíveis, captam com maior facilidade a influência dos Espíritos, podendo sofrer, às vezes, conseqüências desagradáveis em decorrência de possuir em uma faculdade que não conhecem e não dominam. Além disso, nós sabemos que da faculdade mediúnica podem dispor se bons e maus Espíritos, podendo no caso dos maus, levarem o médium ao desequilíbrio. 

O Espírito da Verdade afirma [LM-cap 31 it 15]: "...Todos os médiuns são incontestavelmente chamados a servir à causa do Espiritismo, na medida da sua faculdade..." 

Em [Nos Domínios da Mediunidade] ouvimos as seguintes afirmativas do Espírito Albério (instrutor de André Luiz): 

"Mediunidade, por si só não basta. É necessário sabermos que tipo de onda mental assimilamos, para conhecer a qualidade do nosso trabalho e julgar nossa direção. É perigoso possuir sem saber usar." 

Assim, é a mediunidade uma faculdade inerente à própria vida, sendo semelhante ao dom da visão comum, peculiar a todas as criaturas, responsável por tantas glórias e por tantos infortúnios na Terra. Entretanto, ninguém se lembrará de suprimir os olhos, porque milhões de pessoas, em face das circunstâncias imponderáveis da evolução, tenham se servido dos olhos para perseguir e matar nas guerras de terror e destruição. É necessário iluminá-los, orientá-los, esclarecê-los. 

Etapas do Desenvolvimento Mediúnico:

A mediunidade não requisitará desenvolvimento indiscriminado, mas, antes de tudo, aprimoramento da personalidade mediúnica e nobreza de fins, para que o médium possa tornar-se um filtro leal das Esferas Superiores com vistas à ascensão da Humanidade para o Progresso. 

Mas então, como proceder ao desenvolvimento mediúnico? Allan Kardec e vários benfeitores espirituais nos orientam que, no desenvolvimento mediúnico, temos de vencer três etapas: intelectual – material moral. 

a) Etapa Intelectual: é representada pela necessidade do estudo.
Kardec afirma: "...O estudo preliminar da teoria é indispensável, se quisermos evitar inconvenientes inseparáveis da inexperiência." [LM-it 211] 
O estudo da faculdade mediúnica e o conhecimento da Doutrina Espírita são bases essenciais e indispensáveis. 

b) Etapa Material: é o adestramento, uma forma de treinamento da faculdade mediúnica, uma familiarização com as técnicas envolvidas no processo da mediunidade. 

"Na verdade, até hoje, não existe sinal ou diagnóstico infalível para se chegar à conclusão que alguém possua essa faculdade; os sinais físicos nos quais algumas pessoas julgam ver indícios, nada tem de infalíveis. Ela se encontra, nas crianças e nos velhos, entre homens e mulheres, quaisquer que sejam o temperamento, o estado de saúde, o grau de desenvolvimento intelectual e moral. Não há senão um meio para lhes contatar a existência que é o experimentar." [LM-cap 17 it 200] 

Esta experimentação deve ser: perseverante, assídua, séria, em grupo, local adequado, sob orientação experiente, desprovida de concionamentos. O candidato a médium deve ter persistência, exercitando-se para as comunicações em dias e horários certos da semana, pré-estabelecidos, de preferência em grupo.

Kardec nos orienta [LM-it 207] que a reunião de pessoas com intenção semelhante forma um todo coletivo onde a força e a sensibilidade se encontram aumentadas por uma espécie de influência magnética que ajuda o desenvolvimento da faculdade. 

A reunião deste grupo deve ser sob a direção de pessoas experientes, conhecedoras da Doutrina Espírita e do fenômeno mediúnico. Esta reunião deve ser também feita, de preferência em local apropriado, isto é, no Centro Espírita, onde estaremos sob o amparo e a orientação de Espíritos Bons, que são responsáveis pelos trabalhos mediúnicos da Casa. Além disto, todo Centro Espírita tem como que um isolamento magnético que nos protege espiritualmente durante os trabalhos mediúnicos. 

É simples compreendermos, pois na Terra acontece o mesmo. Um acadêmico de Medicina inicia seu treinamento aos doentes num Hospital e sob a supervisão de um médico experiente para evitar desastres. Se for uma cirurgia será necessário um cuidado ainda maior - um centro cirúrgico. 

O candidato a médium não deve desistir se, após 2, 3 ou 10 tentativas de comunicação com os Espíritos não obtiver qualquer resultado ou qualquer indício de comunicação. Como vimos, existem obstáculos de correntes da própria organização mediúnica em desabrochamento, impedimentos materiais e psíquicos que, só com o tempo e a dedicação serão contornados. 

Quanto ao médium que já controla bem sua faculdade, que permite aos Espíritos se comunicarem com facilidade, que seja, em uma palavra, um “médium feito”, seria um erro de sua parte, nos assevera Kardec [LM 216] crer-se dispensado de qualquer outra instrução. Não venceu senão uma resistência material, e é agora que começa para ele o verdadeiro desafio, as verdadeiras dificuldades: vencer a terceira etapa - a moral. 

c) Etapa Moral: Allan Kardec define como espírita-cristão ou verdadeiro espírita, aquele que não se contenta em admirar a moral espírita, mas a pratica e aceita todas as suas conseqüências. Convencido de que a existência terrena é uma prova passageira, aproveita todos os instantes para avançar no caminho do Progresso, esforçando-se em fazer o bem e anular seus maus pensamentos. A caridade em todas as coisas é a regra de sua conduta. 

Sob o ponto de vista espírita, a mediunidade é uma iniciação religiosa das mais sérias, é um mandato que nos é oferecido pela Espiritualidade Superior a fim de ser fielmente desempenhada. Desta forma, o aspirante à mediunidade - Luz da Doutrina Espírita - deve partir da conscientização de seus ensinamentos e esforçar-se, desde o início de seu aprendizado, por ser um espírita-cristão. Isto significa trabalha incessantemente por nossa reforma moral. 

Somente nossa evolução moral, nossa melhora e nosso crescimento para o Bem poderão garantir-nos o assessoramento dos bons Espíritos e o exercício seguro da mediunidade, por nossa sintonia com o Bem. E esta não é uma tarefa fácil, pois o que mais temos dentro de nós são sensações e experiências negativas e deformadas trazidas do passado. Por isso para nós ainda é mais fácil e cômodo, sintonizar com as atitudes negativas do que com as positivas. 

E como faremos? Como nos livrarmos de condicionamentos inferiores? Carregamos séculos de erros e alguns anos de boas intenções. É claro que não podemos mudar sem esforço, temos que trabalhar duro nesta reforma moral, que só nós saberemos identificar e sentir porque estará marcada em nosso íntimo. Trabalhemos com exercícios diários e constantes no bem, meditando e orando muito. Jesus, o Médium por Excelência, sintonizava constantemente com Deus, no entanto, após a convivência com o povo, sempre se afastava para orar e meditar em silêncio e solidão. 

A diferença de um bom médium e um médium desajustado, não está na mediunidade, mas no caráter de um e de outro; na formação moral está a base de todo desenvolvimento mediúnico. Alguns cuidados devem ser tomados por todos aqueles que aspiram ao desenvolvimento mediúnico: 

* Culto do Evangelho no Lar: ele proporciona a renovação do clima espiritual do lar sob as luzes do Evangelho Redivivo, porque o lar é a usina maior de energia de que somos carentes, é onde compensamos nossa vibrações psíquicas em reajustamento. 

* Culto de Assistência: rompimento com o egoísmo, interessando nos pelo próximo, auxiliando-o sempre em todas as ocasiões, usando ao máximo nossa capacidade de servir desinteressadamente. Participação em atividades como: campanha do quilo, distribuição de alimentos, visita aos enfermos, idosos e creches, grupos de costura, evangelização, etc. 

* Freqüência ao Centro Espírita: nas reuniões públicas e outras atividades oferecidas pelas Casas Espíritas. Aprenderemos a viver em grupos Humanos que nos permitirão o exercício da humildade. Evitemos as sessões mediúnicas nos lares; organização espiritual não se improvisa. 

* Estudo Coletivo: reunidos aos companheiros para o estudo das obras espíritas, evitemos as falsas interpretações. Assimilando as experiências de companheiros, estaremos alongando nossa visão e nossa percepção dos conteúdos espíritas; o que se torna mais difícil numa leitura solitária. 

* Reforma Íntima: revisão e reconstrução de nossos atos e hábitos, permutando vícios por virtudes legitimamente cristãs que são as únicas que sobreviverão eternamente. 

Como nos diz o instrutor Albério: "... elevemos nosso padrão de conhecimento pelo estudo bem conduzido e apuremos a qualidade de nossa emoção pelo exercício constante das virtudes superiores..." 

Dentro destes critérios de desenvolvimento da mediunidade, mesmo que nenhuma faculdade venha a desabrochar, tenhamos a certeza que estaremos desenvolvendo-nos espiritualmente e capacitando-nos para o exercício da mediunidade com Jesus. 

CVDEE – Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo

FALANDO SOBRE MEDIUNIDADE - PARTE 11

Exercício Prático Mediúnico  


06. ESCRITA DIRETA PROCEDIMENTO: 

01 - suspender um lápis, por meio de um fio pendente do teto sobre a mesa, em que esteja colocada uma folha de papel; fazer a evocação, colocando levemente as mãos sobre a mesa; 
02 - pode-se, também, colocar um pedaço de ardósia (pedra de lousa) entre duas lousas sobrepostas e completamente ligadas à outra, de modo que ninguém lhe possa tocar. 



EXERCÍCIO PARA CASA:

01 - Não há.
07. PSICOFONIA PROCEDIMENTO:
01 - propor um tema e pedir para os alunos se expressarem; 
02 - propor um tema, proceder ao preparo mediúnico e deixar os Espíritos se manifestarem; 
03 - fazer o preparo mediúnico e deixar o espaço livre para as manifestações dos Espíritos; 
04 - escolher um tema e deixar os alunos se expressarem livremente; depois, com o mesmo tema, proceder ao preparo mediúnico; 
05 - numa mesma reunião, faz-se o preparo mediúnico, dando vez primeiro aos Espíritos necessitados e, depois, aos mentores. 



EXERCÍCIO PARA CASA: 
01 - não há. 


08. VOZ DIRETA PROCEDIMENTO: 

01 - utilize-se de uma trombeta ou corneta de alumínio, o mais leve possível.

EXERCÍCIO PARA CASA: 
01 - não há


09. VIDÊNCIA E AUDIÊNCIA PROCEDIMENTO: 

01 - utilizar cartões com cores, números ou letras; 
02 - mentalizar as flores de um jardim; 
03 - solicitar aos amigos espirituais que projetem "imagens ou idéias". Esperar um pouco e verificar quem as captou. 
04 - solicitar aos Espíritos a projeção de "sons e vozes". Esperar um pouco e verificar quem as captou. 


EXERCÍCIO PARA CASA: 

01 - prestar atenção aos objetos do quarto de dormir, da sala, da cozinha etc. 
02 - ouvir música e distinguir os diversos instrumentos musicais. 

EXERCÍCIO PRÁTICO MEDIÚNICO  


10. CLARIVIDÊNCIA E CLARIAUDIÊNCIA PROCEDIMENTO:

01 - projetar cartas zener, cartões com cores, números ou letras como se fosse uma máquina, isto é, não olhar a imagem a ser transmitida; 
02 - propor ao aluno que perceba os sons projetados no ambiente. 

EXERCÍCIO PARA CASA: 

01 - desenhar alguma forma geométrica, como um círculo, um quadrado ou um triângulo; depois, tentar construi-la "na mente"; 
02 - ouvir música e distinguir os sons dos instrumentos musicais.

11. DESDOBRAMENTO PROCEDIMENTO: 
01 - preparo do ambiente e do médium; 
02 - propor ao aluno deslocar-se até o teto da sala; 
03 - deixar algum objeto em outra sala, pedir para os alunos se deslocarem até lá e descreverem o que viram; 
04 - pode-se, também, deixar um livro aberto, dentro ou fora da sala de aula; depois , verificar quem conseguiu ler o texto. 

EXERCÍCIO PARA CASA: 

01
- ao deitar-se, procurar se deslocar mentalmente até o teto do quarto.

12. PSICOMETRIA PROCEDIMENTO: 

01 - ter em mãos objetos antigos; 
02 - depois do preparo mediúnico, passar o objeto de mão em mão, a fim de que os alunos captem suas radiações; 
03 - apertar a mão e abraçar uma pessoa, a fim de lhe captar as vibrações; 
04 - usar ficha de colégio. 


EXERCÍCIO PARA CASA: 

01
- prestar atenção ao apertar a mão de alguém.

13. DOAÇÃO DE FLUIDOS PROCEDIMENTO: 

01 - pelo olhar: dirigi-lo docemente para a parte do corpo que se quer curar; 
02 - pelo toque: um aperto de mão, um abraço e a colacação das mãos no lugar afetado; 
03 - pela imposição de mãos: o operador fará imposições de mãos, à distância do corpo físico, projetando os fluidos salutares na parte requerida pelo receptor. 

EXERCÍCIO PARA CASA: 

01
- olhar serenamente as pessoas;
02 - tomar consciência de como se aperta as mãos dos outros.

INDICAÇÃO BIBLIOGRÁFICA


RELAXAMENTO
01
- C.E.I., Apostila sobre Concentração.

CONCENTRAÇÃO
01
- C.E.I.. Apostila sobre Concentração.
02 - C.E.I.. Apostila do 2.º Ano do Curso de Educação Mediúnica.
03 - NUNES, O.. Controle da Mente ON. Editora Hemus.
04 - SWANANDA, S.. Concentração e Meditação. Ed. Pensamento.
05 - SADHU, M.. Concentração. Ed. Pensamento.

FASES DO TRANSE MEDIÚNICO
01
- ARMOND, E.. Desenvolvimento Mediúnico Prático. Ed. Aliança.

TELEPATIA
01
- ANDRADE, H.G.. Parapsicologia Experimental.
02 - PIRES, J.H.. Parapsicologia - Hoje e Amanhã.
03 - NESTLER, V.. A Telepatia . Coleção Esfinge, Ed. 70.
04 - BUTLER, W.E.. Introdução à Telepatia. Ed. Restrito ouro.

PSICOGRAFIA
01
- KARDEC, A.. O Livro dos Médiuns. Cap.XIII e XIV.
02 - PEREIRA, Y.A.. Recordações da Mediunidade.

ESCRITA DIRETA
01
- KARDEC, A.. O Livro dos Médiuns.
02 - BODIER, P.. Como Desenvolver a Mediunidade. Ed. Eco.
03 - MONTALEGRE, E.. A Arte de Evocar os Espíritos. Livraria Teixeira.

PSICOFONIA
01
- XAVIER, F.C.. Nos Domínios da Mediunidade, pelo Espírito André Luiz.
02 - ARMOND, E.. Mediunidade.
03 - DENIS, L.. Espíritos e Médiuns.
04 - DENIS, L.. No Invisível.
05 - MIRANDA, H.C.. Diálogo com as Sombras.
06 - MIRANDA, H.C.. Diversidade dos Carismas.
07 - SCHUBERT, S.C.. Obsessão e Desobsessão.

VOZ DIRETA
01
- KARDEC, A.. O Livro dos Médiuns.
02 - BODIER, P.. Como Desenvolver a Mediunidade. Ed. Eco.

VIDÊNCIA E AUDIÊNCIA
01
- KARDEC, A.. O Livro dos Médiuns.
02 - LEADBEATER, Clarividência. Ed. Pensamento.
03 - BAKER, Dr.D.. Abertura da 3.ª Visão. Ed. Ouro.

CLARIVIDÊNCIA E CLARIAUDIÊNCIA
01
- BUTLER, W. E.. Como Desenvolver a Clarividência. Ed. Hemus
02 - ANDRADE, H.G.. Parapsicologia Experimental.

DESDOBRAMENTO
01
- XAVIER, F.C.. Nos Domínios da Mediunidade, pelo Espírito André Luiz.
02 - BOZZANO, E.. Fenômeno de Bilocação - Desdobramento.

PSICOMETRIA
01
- XAVIER, F.C., Nos Domínios da Mediunidade, pelo Espírito André Luiz.
02 - BOZZANO, E.. Enigma da Psicometria.

DOAÇÃO DE FLUIDOS
01
- MICHAELUS, Magnetismo Espiritual. Ed. FEB.
02 - GORDON, R.. A Cura pelas Mãos. Ed. Pensamento.
03 - SHERWOOD, K.. A Arte da Cura Espiritual. Ed. Pensamento.
04 - BRENAM, B.A., Mãos de Luz. sbg dezembro de 1995.

CENTRO ESPÍRITA "ISMAEL" DEPARTAMENTO DE ENSINO DOUTRINÁRIO
AV. HENRI JANOR, 141, JAÇANÃ -SP

TELEFONE: 2242-6747

FALANDO SOBRE MEDIUNIDADE - PARTE 10



Mediunidade Autor: Emmanuel (espírito) / psicografia de Chico Xavier 

PREFÁCIO

Acena-nos a antiguidade terrestre com brilhantes manifestações mediúnicas, a repontarem da história. Discípulos de Sócrates referem-se, com admiração e respeito, ao amigo invisível que o acompanhava constantemente. 

Reporta-se Plutarco ao encontro de Bruto, certa noite, com um de seus perseguidores desencarnados, a visitá-lo, em pleno campo. Em Roma, no templo de Minerva, Pausânias, ali condenado a morrer de fome, passou a viver, em Espírito, monoideizado na revolta em que se alucinava, aparecendo e desaparecendo aos olhos de circunstantes assombrados, durante largo tempo. 

Sabe-se que Nero, nos últimos dias de seu reinado, viu-se fora do corpo carnal, junto de Agripina e de Otávia,sua genitora e esposa,ambas assassinadas por sua ordem,a lhe pressagiarem a queda no abismo. 

Os Espíritos vingativos em torno de Calígula eram tantos que, depois de lhe enterrarem os restos nos jardins de Lâmia,eram ali vistos,freqüentemente,até que lhe exumaram os despojos para a incineração. Todavia, onde a mediunidade atinge culminâncias é justamente no Cristianismo nascituro. 

Toda passagem do Mestre inesquecível, entre os homens, é um cântico de luz e amor, externando-lhe a condição de Medianeiro da Sabedoria Divina. E,continuando-lhe o ministério,os apóstolos que se lhe mantiveram leais converteram-se em médiuns notáveis,no dia de Pentecostes (2),quando,associadas as suas forças,por se acharem “todos reunidos”,os emissários espirituais do Senhor,através deles,produziram fenômenos físicos em grande cópia,como sinais luminosos e vozes diretas,inclusive fatos de psicofonia e xenoglossia,em que os ensinamentos do Evangelho foram ditados em várias línguas, simultâneamente, para os israelitas de procedências diversas. 

Desde então, os eventos mediúnicos para eles se tornaram habituais. Espíritos materializados libertavam-nos da prisão injusta (3). O magnetismo curativo era vastamente praticado pelo olhar (4) e pela imposição das mãos (5). Espíritos sofredores eram retirados de pobres obsessos, aos quais vampirizavam (6). Um homem objetivo e teimoso, quanto Saulo de Tarso, desenvolve a clarividência, de um momento para o outro, vê o próprio Cristo, às portas de Damasco, e lhe recolhe as instruções (7). 

E porque Saulo, embora corajoso, experimente enorme abalo moral, Jesus condoído, procura Ananias, médium clarividente na aludida cidade, e pede-lhe socorro para o companheiro que encetava a tarefa (8). 

Não sòmente na casa dos apóstolos em Jerusalém mensageiros espirituais prestam contínua assistência aos semeadores do Evangelho; igualmente no lar dos cristãos, em Antióquia,a mediunidade presta serviços valiosos e incessantes.Dentre os médiuns aí reunidos, um deles, de nome Agabo (9), incorpora um espírito benfeitor que realiza importante premonição.E nessa mesma igreja, vários instrumentos medianímicos aglutinados favorecem a produção da voz direta, consignando expressiva incumbência a Paulo e Barnabé (10). 

Em Tróade, o apóstolo da gentilidade recebe a visita de um varão, em Espírito, a pedir-lhe concurso fraterno (11). E, tanto quanto acontece hoje, os médiuns de ontem, apesar de guardarem consigo a Bênção Divina, experimentavam injustiça e perseguição.Quase por toda parte, padeciam inquéritos e sarcasmos, vilipêndios e tentações. 

Logo no início das atividades mediúnicas que lhe dizem respeito, vêem-se Pedro e João segregados no cárcere.Estêvão é lapidado.Tiago, o filho de Zebedeu,é morto a golpes de espada.Paulo de Tarso é preso e açoitado várias vezes. 

A mediunidade, que prossegue fulgindo entre os mártires cristãos,sacrificados nas festas circenses,não se eclipsa,ainda mesmo quando o ensinamento de Jesus passa a sofrer estagnação por impositivos de ordem política.Apenas há alguns séculos,vimos Francisco de Assis exalçando-a em luminosos acontecimentos;Lutero transitando entre visões;Teresa d’Ávila em admiráveis desdobramentos;José de Copertino levitando ante a espantada observação do papa Urbano VIII,e Swedenborg recolhendo,afastado do corpo físico,anotações de vários planos espirituais que ele próprio filtra para o conhecimento humano,segundo as concepções de sua época. 

Compreendemos, assim, a validade permanente do esforço de André Luiz, que, servindo-se de estudos e conclusões de conceituados cientistas terrenos, tenta,também aqui (12), colaborar na elucidação dos problemas da mediunidade,cada vez mais inquietantes na vida conturbada do mundo moderno. 

Sem recomendar, de modo algum, a prática do hipnotismo em nossos templos espíritas, a ele recorre, de escantilhão,para fazer mais amplamente compreendidos os múltiplos fenômenos da conjugação de ondas mentais,além de com isso demonstrar que a força magnética é simples agente,sem ser a causa das ocorrências medianímicas, nascidas, invariavelmente, de espírito para espírito. 

Em nosso campo de ação, temos livros que consolam e restauram, medicam e alimentam, tanto quanto aqueles que propõem e concluem, argumentam e esclarecem. 

Nesse critério, surpreendemos aqui um livro que estuda. 
Meditemos, pois, sobre suas páginas. 

EMMANUEL