quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O aprendizado no Candomblé



O aprendizado no Candomblé

Há muito tempo me questiono sobre a forma como são educados os iniciados da nossa religião, já falei disso em outra oportunidade, mas agora, tenho dedicado mais tempo a desvendar os mecanismos do aprendizado e de apreensão das informações. Sem querer me passar por Antropólogo ou Historiador, somente um filho de santo com questões e dúvidas a esse respeito.

O processo de aprendizado em uma Casa de Santo, para mim, é uma troca constante e sempre em duas vias, aprende-se com os mais velhos e com os mais novos. Com os mais velhos da religião se aprende hierarquia, respeito e o modelo de funcionamento da Casa com suas quizilas e seus macetes. Com os mais novos se aprende e se relembra da inquietação dos tempos de noviço, quando queríamos aprender tudo ao mesmo tempo e agora. E vejo como é saudável esta busca, por que foi esta inquietação que nos trouxe até este grupo, uns para buscar ajuda ou informação e outros para repassar o que dispomos de informações.

Ao longo dos anos de aprendizado e observação se percebe que o tempo é o senhor do saber numa Casa de Santo, é ele quem determina quando uma pessoa está apta a conhecer ou a saber alguma coisa. Numa Casa de Orixá não se antecipa o aprendizado, mas deve-se estimulá-lo, não se antecipam as obrigações, nem mesmo uma cantiga ou uma reza pode ser antecipada em sua ordem de entrada no Odorozã (Xirê), elas têm seu tempo e hora para serem colocadas, tudo em seu tempo certo. Mas é importante ressaltar que o “tempo certo” não pode servir de escudo para o não aprendizado e a sonegação de informações. Neste aprendizado se troca informação por sorriso, informação por ajuda no lavar dos pratos, informação por depenar galinha, informação por lavar as quartinhas, informação por informação.

Os mais velhos quase sempre escolhem ou apadrinham aqueles eleitos a quem vão dar a informação detalhada, o fundamento, o segredo. Porém sempre fazendo absoluta questão de dizer (por palavras e gestos) que não ensinam e não sabem nada para ensinar. Muitas são as decepções dos mais velhos que investem seus esforços em ensinar e muitas vezes não são recompensados com o desejo tão intenso do mais novo em aprender, quanto o desejo do mais velho em ensinar.

Os mais jovens normalmente escolhem aqueles mais velhos a quem irão pedir auxílio, é uma troca entre o saber ouvir o saber falar e o saber calar. Os mais novos as vezes se decepcionam com os mais velhos quando não conseguem a informação desejada no momento desejado. Mas é o tempo cumprindo sua função.

Coió deveria ocupar um capítulo a parte nas Casas de Santo, em tudo e por tudo há um coió, as vezes engraçados, as vezes constrangedores, mas mesmo nos coiós há informação.

O coió pode ser: Explicativo (“já te falei que só se corta os bichos pelas juntas, nunca se corta o osso, não falei?”). Inclusivo (“por que você não usa roupa estampada? Você já é velho bastante para isso, então use ta?”). Exclusivo (por que você está usando roupa estampada? Você ainda é muito novo para isso). E outros.

O aprendizado é longo e cheio de regras, não se aprende tudo em único dia nem em único Bori, o conhecimento vem com a repetição dos gestos, das cantigas, dos rituais, das danças. Aprender é um eterno fazer e refazer, ordenar e reordenar os pensamentos e os conceitos predeterminados. Para aprender sobre o que não se vê, e Vodun não se vê, sobre o sentimento e sobre emoções, deve-se estar aberto ao inesperado, ao novo e até ao contraditório.

Aprender numa Casa de Santo é diferente de uma escola convencional, não há cartilha, nem quadro negro, muito menos professores. Mas há a cozinha…, o melhor lugar para dar e receber informação, lugar sagrado de se falar baixo e pouco, sobre o estritamente necessário. É na cozinha que se aprende de fato. É na sala que se confirma o que foi aprendido.

Aprender numa Casa de Santo é essencialmente observar, quando Abian, se permanecer muito tempo abaixado e a visão pode ser comparada a de uma criança por entre as pernas e saias dos mais velhos, neste período há pouca informação, pouco conhecimento e poucas e raras responsabilidades. Quando Vodunsi, o ângulo de visão melhora e as informações têm mais conteúdo, principalmente os “coiós” e as responsabilidades lhes são atribuídas aos poucos. Quando Egbomis, as informações que foram recebidas e assimiladas ao longo dos sete anos que o separavam dos “segredos guardados” serão finalmente cobradas e exercitadas plenamente, o iniciado já está apto e pronto para…. informação e “coió”.

Parece-me que a informação anda junto com “coió”, um depende do outro é uma relação de amor.

Muitos querem saber hoje o que só poderão saber amanhã, eles buscam de Casa em Casa, vão a todas, mas não se fixam em nenhuma e como costumamos falar eles “catam” a informação desejada, mas o aprendizado fica prejudicado, no Candomblé o que vale é o modo como se faz ou se fez na sua Casa na sua raiz e no seu Axé, foi assim que fomos ensinados. Informação extra Casa deve ser comedida e de fonte segura.

O aprendizado no Candomblé se faz da seguinte forma: Mais ouvir que falar, mais fazer que perguntar.

Um detalhe. A iniciação por si só não garante acesso a todas as informações no Candomblé. De fato, podemos dizer que as formas de aprendizagem nessa religião são variadas e complementares. Mas o cumprimento das obrigações “de ano” no tempo devido é que podem credenciar o iniciado ao saber mais profundo. Mas, enquanto algumas das assimilações de conhecimento podem ser substituídas, a hierarquia e tempo de santo, o convívio com a Casa e a observação ainda são imprescindíveis para se aprender candomblé.

Uma Casa de Santo está sempre em movimento, sempre activa, sempre viva, portanto sempre disponível aos que desejam aprender, tanto a colher as folhas no local e horário correcto, quanto a depenar e retirar os axés, o modo correcto de acender ou apagar o fogo de lenha ou a usar roupa branca ou estampa adequada ao seu Vodun ou ao evento do dia. Em uma Casa de Santo há sempre necessidade da colaboração de todos, da participação de todos, de todos e qualquer um.

O aprendizado se dá na mesma velocidade com que você percebe que seus atos e palavras interferem, colaboram ou não para fortalecer a comunidade, vem com o tempo de iniciação? Sim vem, mas também com as boas amizades e com as trocas de bênçãos.

Aprendizado no candomblé vem com o tempo…e humildade.

Kolofé!

Osogbo – O reino de Òsún



Arugbá Òsún

A festa anual das oferendas a Òsún, realizada em Osogbo na Nigéria é uma reatualizarão do pacto que o primeiro rei local contraiu com o rio do mesmo nome.
“Laro”, o antepassado do atual rei, depois de prolongadas atribulações procurando um lugar favorável onde pudesse instalar-se com seu povo chegaram ao rio Òsún, onde a água corria permanentemente.

Segundo se conta alguns dias mais tarde uma das filhas desapareceu nas águas quando se banhava no rio e, passado algum tempo, delas saiu, esplendidamente vestida. Declarou aos seus pais que fora admiravelmente recebida e tratada pela divindade que ali morava.

Laro foi fazer oferendas de agradecimento ao rio. Muitos peixes, mensageiros da divindade, em sinal de aceitação, vieram comer o que o rei jogou na água. Um peixe de grande tamanho veio nadar perto do lugar onde ele se encontrava e cuspiu água.

Laro recolheu essa água em um cabaça e bebeu-a, celebrando assim um pacto de aliança com o rio. “Em seguida estendeu as mãos e o grande peixe saltou nelas e assim assumiu o título de Ataojá, contração da frase yorùbá” A lewo gba eja (aquele que estende as mãos e pega o peixe).

A partir disso ele declara “Òsún gbo”, isto é, (Òsún encontra-se em estado de maturidade, suas águas sempre serão abundantes).

Daí originou-se o nome da cidade, Osogbo.

No dia da festa “Odùn Òsún” o “Ataojá” vai com grande pompa até o rio. Leva na cabeça uma coroa monumental feita de pequeninas contas. Usa um pesado traje de veludo e caminha com gravidade e calma, rodeado por suas esposas e dignitários.
Uma filha do “Ataojá” carrega nessa procissão anual, uma cabaça de Òsún. Ela tem o título de “Arugbá Òsún” (aquela que carrega a cabaça de Òsún) e só pode exercer essa função antes da puberdade.

Ela representa a menina que desapareceu outrora no rio. Sua pessoa é sagrada e o próprio “Ataojá” inclina-se diante dela.

O Ataojá vai sentar-se numa clareira e acolhe as pessoas que vieram assistir à cerimônia. Os reis e chefes das cidades vizinhas comparecem ou enviam seus representantes. A todo momento chegam delegações precedidas por orquestras. Troca de saudações, prosternações e danças, como marca de cortesia recíproca que se sucede em crescente animação.

No final da manhã, o Ataojá, acompanhado de sua corte e convidados aproxima-se do rio Òsún e manda jogar nele, através da Iya Òsún e do Aworo, oferendas de comidas: “agídí”(massa feita de milho), inhames cozidos,”iyanli”(espécie de sopa) etc.

Os peixes disputam as comidas sob o olhar atento das sacerdotisas de Òsún.

A seguir o Ataojá vai ao recinto de um pequeno templo vizinho e senta-se em cima da pedra (Okutá Laro) onde seu antepassado Laro repousou outrora.

O Ataojá está rodeado pelos dignitários do culto de Òsún:

Iya Òsún, a mulher que se encontra à frente das sacerdotisas.

Aworo, o homem que se encontra à frente dos sacerdotes e seus substitutos.

Jagun Òsún, a mulher guerreira de Òsún.

Balogun Òsún, o guerreiro de Òsún.

Ololigan Òsún, o homem que se encontra à frente de todos aqueles que fazem oferendas a Òsún.

Ìyálòde Òsún, à mulher que se encontra à frente de todos os adoradores de Òsún, com exceção dos “Ìwòrò”.

Iyangba Òsún, a mulher que, a cada quatro dias, vai procurar água pra lavar os seixos de Òsún.

Àkùn Yungba Òsún, chefe dos cantores do culto a Òsún.

Prosseguindo ao cerimonial da festa a “Iya Òsún e o Aworo” realizam a adivinhação para saber se a divindade ficou contente com as oferendas que acabam de fazer-lhe e se tem alguma vontade a exprimir.

A seguir as pessoas cantam em torno do Ataojá, sentado na OKUTA LARO.

Seguem-se então cantigas em louvor a Òsún seguido de cânticos em comemoração a ação de Òsànyìn cujas palavras evocam as virtudes simbólicas de certas folhas.

Ìrókò, que produz calma.

Ògègè a árvore na qual se sobe pra ficar protegido.

Òdúndún, sempre fresca.

A parte religiosa pública chegou ao fim. O Ataojá, seguido pela multidão volta à clareira onde recebe seus convidados e os trata com uma generosidade digna da reputação de Òsún.

Fora desta data anual são feitas oferendas a Òsún a cada quatro dias (semana yorùbá).

A festa anual (Odùn Òsún) retorna portando a cada noventa e duas semanas yorùbá, perdendo um dia em cada ano solar normal e dois dias a cada ano solar bissexto.

O Ataojá, referindo-se a deusa Òsún diz:

“O povo de Osogbo e o Ataojá tem um pacto com o rio Òsún”.

Eles acreditam que o espírito de Òsún mora no rio Òsún e tem ali seu palácio, em lugar próximo de Osogbo. Pensam também que todos os lugares profundos do rio Òsún, a partir de “Ìgèdè” onde ele nasce até a laguna de “Leke” onde ele despeja suas águas, são habitados pelos espíritos de todos os seguidores, servidores e amigos quando ela vivia.

Esses lugares profundos recebem a denominação de “Ibú”.

Finalizando diz: Todos os rios tributários que deságuam no rio Òsún são os dedos da deusa e todos os peixes que nele existem, bem como em seus afluentes são os mensageiros de Òsún.

Os tesouros de Òsún são guardados no palácio do “Ataojá” templo este que fica situado nas proximidades do rio Òsún.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O Culto de Legbá



O Culto de Legbá

Legbá (Lεgbà, em fongbé) é um Vodun muito importante, tanto no Benin como na diáspora, por ser aquele que tem como atributos ser o protetor e o mensageiro entre os homens e os Voduns. Cultuado pela totalidade das Casas de Jeji no Brasil (exceto na Casa das Minas “Kwlegbetan Zomadonu”) e em todos os Hùnkpámè (conventos de Vodun) do Benin, este Vodun é louvado e oferendado no ritu
al do Zandró.

Legbá é o filho mais jovem do par Mawu-Lisá ou Dadá-Segbo. Seu assentamento é um montículo de barro com um falo ereto, representação de sua relação com a sexualidade masculina, e com dois chifres. Possui ligações com Ayizan e Xorokwe.

Legbá sempre é cultuado primeiro, do que qualquer Vodun, esta regra jamais é esquecida pelo povo Fon, pois é ele que se encarrega de deixar passar qualquer tipo de oferenda seja a que Vodun for. Mesmo nos casos de descarrego e outros tipos de interversão espiritual praticada seja por qualquer sacerdote e de qualquer culto espiritual (vale ressaltar, porém, que no Brasil, em rituais como o Zàndró, a primeira divindade reverenciada é Ayizan). Está encarregado em vigiar o bom andamento e atitudes do ser humano, seja benéficas ou maléficas e se incumbirá das devidas cobranças.

Também deve-se citar que Legbá, é o unico Vodun masculino que tem acesso ao mundo espiritual das Kenesi (senhoras poderosas e grande Mãe Ancestre, feiticeiras, podendo ser consideradas como correspondentes às Iyami da tradição yorubá).

A reverência a Legbá no jeji mahi se dá no zandró, onde pedimos a ele que se mantenha atento, e para que leve nossa mensagem aos demais voduns. O ritual do padé ou ipadé é nagô, não pertencendo à tradição jeji e nem é próprio para se louvar Legbá.

O dia dedicado à Legbá é a segunda-feira, juntamente com Xorokwé, Ogun, a família de
Sakpatá e Ayizan. Sua cor é o vermelho, o multicolorido e o transparente

Na tradição africana, pode-se encontar também várias formas de Legbá:

*Agbonuxosu – rei do portal, é um pequeno Legbá feito de argila, situado no portão.

*Axi-Legbá – é o Legba dos caminhos.

*Tó-Legbá – é o Legba de uma cidade, ou de uma aldeia.

*Fá-Legbá - protege o Fá, perto do qual ele reside, estando a frente de Fá. É o Legbá do oráculo, que traz a mensagem no jogo.

A classificação do panteão Vodun

Legbá, por ser aquele que “a tudo está ligado”, tem ligações com todos os voduns, sendo o wensagún (mensageiro) entre eles. Na tradição africana podemos encontrar vários grupos ou clãs de voduns, sendo Legbá pertencente a todos estes clãs.

Há os Voduns da terra encabeçados por Sakpatá, conhecidos também como Ayi-voduns, e há os voduns do alto ou do céu encabeçados por Heviosò ou Xebyosò, e Mäwü-Lisà conhecidos também como Ji-voduns. Destes dois grandes grupos pode-se fazer outras sub-divisões, e ainda existem outras divisões a parte, assim temos:

* Os sò-voduns (voduns do raio), liderados pelo Vodun Heviosò/Sògbó;

* Os tò-voduns (voduns das águas), liderados pelo Vodun Xú;

* Os zùn-voduns (voduns das florestas), a exemplo de Aziza e Agè (Agué);

* Os Atinmè-voduns (voduns do interior das árvores), a exemplo de Lökö e Zonodo ou Azawonodo;

* Os tó-voduns (voduns de uma determinada aldeia, povo ou reino);

* Os Hε̆nnù-voduns (voduns de uma determinada família ou clã), cada um liderado pelo seu Hε̆nnùgán (patriarca);

* Os jono-voduns (voduns estrangeiros), a exemplo dos anagonus (Oxun, Yemanjá, Ogun, Oyá (ou Avesan em Abomey), Odé, etc).

No Brasil, porém, podemos nos deter a três divisões básicas se tratando do jeji mahi:

* Dan ou Família da Serpente, incluindo todos os voduns serpentes e que são liderados por Dangbè ou Gbèsén;

* Heviosò/Kaviono ou Família do Trovão, que inclui todos os ji-voduns, sò-voduns e tò-voduns e que são liderados pelo vodun Sògbó.

* Sakpatá ou Família da Terra, que inclui todos os ayi-voduns e azon-voduns (voduns doentes) e os jono-voduns e que são liderados pelo vodun Azonsú ou Azansú.

Legbá, igualmente no Brasil, está ligado a estas três grandes famílias. Legbá conhece tudo e sabe falar todas as línguas.

Legbá protege e defende!

Un j’avalu hùn Legbá!!!!

Etù – A galinha D’Angola



Etù – A galinha D’Angola


A Galinha de Angola era uma ave muito feia e por isso, afastava as pessoas de perto de si, mesmo sendo muito rica. Ela vivia abandonada em uma grande floresta em meio a sua riqueza.

Cansada de ser desprezada, resolveu consultar o oráculo sagrado no Palácio de Obatalá. Quando lá chegou, o Sacerdote a colocou para fora, dizendo que ela deveria estar usando um Alá branco pa
ra entrar na casa do Grande Deus Funfun. Ainda mais triste, a Galinha de Angola resolveu ir para outra floresta e de uma vez por todas, deixar de conviver perto de
tudo e todos.

Após 21 dias caminhando, a Galinha de Angola parou em uma floresta, sem saber que era sagrada (Igbodu). Lá, ela encontrou um velho maltrapilho gemendo de dores. Esse velho disse:

“Pare! estou muito doente e não tenho dinheiro para me alimentar, me dê o que comer e beber, por favor,”!

A Galinha de Angola pegou tudo o que tinha e deu ao velho homem que, após saciar a sua fome e sede, caiu dormindo em sono profundo. A Galinha de Angola continuou preocupada com o velho e ficou ao seu lado enquanto ele dormia. Ao acordar, o velho perguntou-lhe, porque ainda estava lá, fazendo companhia para aquele velho maltrapilho.

A Galinha começou a dizer que não poderia abandoná-lo, pois ele estava precisando dela, dize sua história ao velho, falando que todos lhe achavam feia, com um aspecto repugnante e que não mais queria viver.

O Velho respondeu que o seu exterior não importava em nada, pois por dentro, ele era um dos seres mais belos que existia. Disse que aquela era uma floresta sagrada e que na verdade, ele era Obatalá. A Galinha de Angola ficou surpresa com a revelação, pedindo-lhe desculpas por entrar na floresta sagrada.

Obatalá pegou Efun e começou a pintar a Galinha de Angola, que ficou muito bonita. Além disso, Obatalá disse que, o maior símbolo para os iniciados era o Osù e modelou um na superfície da cabeça da Galinha de Angola, dizendo que, a partir daquele momento, ela seria o Animal mais Sagrado do Culto aos Òrìsàs, pois somente ela, traz o Grande Osù em sua cabeça.

Essa história é um grande ensinamento, pois mostra que não podemos julgar ninguém por sua aparência, mostra que não devemos jamais negar comida e bebida. Nossa religião oferta, ajuda e acolhe, essa é mensagem que devemos guardar.

Que minha Mãe Yemonja continue olhando e abençoando todos!

Kolofé


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

SEJA UM SEGUIDOR DE NOSSO BLOG

Motumbá meus (minhas) irmãos (as) de nosso BLOG BARA LONAN BORDADOS, sou PEDRO T'OGUM e venho hoje lhe fazer um convite:
 
Como moderador do BLOG OLHOS DE OXALÁ e CO-AUTOR deste BLOG, vou postar aqui sempre novidades uma vez por semana sobre nosso tão amado CANDOMBLÉ. Mas para isto lhes faço um pedido: SEJAM SEGUIDORES DESTE BLOG.
 
Uma das vantagens de ser seguidor deste BLOG é de fato receber em seu email as novidades do BLOG EM QUESTÃO. Mas é como sempre falo no meu BLOG OLHOS DE OXALÁ, nunca gostei de quantidade e sim de qualidade. Pois tanto este como o meu BLOG em questão naõ visa ser como muitos que possuem inumeros seguidores baseados em tanta bobagem postada e sem fundamentos.
 
Através do status SEGUIDOR você ainda tem a vantagem de se manifestar de como o BLOG BARA LONAN BORDADOS esta indo através de seus comentários.
 
E quem quizer visitar nosso BLOG OLHOS DE OXALÁ, serão muito bem vindos.
 
No mais que OGUM E OXAGUIÃN lhes abençõem, muito.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

NOTIFICAÇÃO AOS LEITORES DO BARA LONAN

Motumbá meus (minhas) queridos (as) amigos.

Eu sou Pedro Manuel T" Ogum, criador do BLOG OLHOS DE OXALÁ e COLABORADOR neste BLOG BARA LONAN BORDADOS, que tem servido de grande valia a todos que aqui participam.

Creio que aos mais acostumados a nos visitar aqui devem estar se questionando sobre o motivo de FERNANDO não ter postado atualmente nada nesse quase um mês. O motivo que o impossibilitou é que ele esta recolhido no Ilê Asé, de nosso pai LUIZ CARLOS DE LOGUN-EDÉ, filho de PAI KABILA DE OXÓSSI, onde deu sua inicição.

Com isto ele ainda encontra-se recolhido, cumprindo seu preceito onde o mesmo esta impossibilitado de lidar diretamente com técnologia e microcomputadores. Mas acredito eu que foi justamente por uma grande causa, que nos trouxe grande alegria e surpresa.

Como todos devem saber Fernando seria filho de Mamãe Oxum, mas como todo Abian, não tem de fato um santo que tenha pego definitivamente seu Ori. O Fernando agora é FERNANDO T' OXAGUIÃN.

Aqui abaixo estão algumas fotos da festa das Yabás, onde o orixá dele dançou pouco devido ser uma festa quente. Se preparando e se reservando a bailar dignamente nas Águas de Oxalá.





Desejo ao nosso amigo FERNANDO T' OXAGUIAN, muito sucesso e que OXAGUIÃN, trilhe seus caminhos na luz de sua espada e de sua mão de pilão, dando-lhe saúde, paz e muita prosperidade.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

AS SETE LINHAS DA UMBANDA SAGRADA




Para entender um pouco mais a Umbanda devemos conhecer as linhas ou vibrações. Uma linha ou vibração, eqüivale a um grande exército de espíritos que rendem obediência a um "Chefe". Este "Chefe" representa para nós um Orixá e cabe a ele uma grande missão no espaço.

1) Linha de Oxalá


Essa linha representa o princípio, o incriado, o reflexo de Deus, o verbo solar. É a luz refletida que coordena as demais vibrações. As entidades dessa linha falam calmo, compassado e se expressam sempre com elevação. Seus pontos cantados são verdadeiras invocações de grande misticismo, dificilmente escutados hoje em dia, pois é raro assumirem uma "Chefia de Cabeça".




2) Linha de Iemanjá



Essa linha é também conhecida como Povo d'Água. Iemanjá significa a energia geradora, a divina mãe do universo, o eterno feminino, a divina mãe na Umbanda. As entidades dessa linha gostam de trabalhar com água salgada ou do mar, fixando vibrações, de maneira serena. Seus pontos cantados têm um ritmo muito bonito, falando sempre no mar e em Orixás da dita linha.




3) Linha de Xangô


Xangô é o Orixá que coordena toda lei Kármica, é o dirigente das almas, o Senhor da balança universal, que afere nosso estado espiritual. Resumindo, Xangô é o Orixá da Justiça. Seus pontos cantados são sérias invocações de imagens fortes e nos levam sempre aos seus sítios vibracionais como as montanhas, pedreiras e cachoeiras.




4) Linha de Ogum


A vibração de Ogum é o fogo da salvação ou da glória, o mediador de choques conseqüentes do karma. É a linha das demandas da fé, das aflições, das lutas e batalhas da vida. É a divindade que, no sentido místico, protege os guerreiros. Os Caboclos de Ogum gostam de andar de um lado para outro e falam de maneira forte, vibrante e em suas atitudes demonstram vivacidade. Suas preces cantadas traduzem invocações para a luta da fé, demandas, batalhas, etc.


5) Linha de Oxossi


A vibração de Oxossi significa ação envolvente ou circular dos viventes da Terra, ou seja, o caçador de almas, que atende na doutrina e na catequese. Suas entidades falam de maneira serena e seus passes são calmos, assim como seus conselhos e trabalhos. Seus pontos cantados traduzem beleza nas imagens e na música e geralmente são invocações às forças da espiritualidade e da natureza, principalmente as matas.




6) Linha de Iori


Essas entidades, altamente evoluídas, externam pelos seus cavalos, maneiras e vozes infantis de modo sereno, às vezes um pouco vivas. Quando no plano de protetores, gostam de sentar no chão e comer coisas doces, mas sem desmandos. Seus pontos cantados são melodias alegres e algumas vezes tristes, falando muito em Papai e Mamãe de céu e em mantos sagrados.




7) Linha de Iorimá


Também chamada de Linha das Almas, essa linha é composta dos primeiros espíritos que foram ordenados a combater o mal em todas as suas manifestações. São os Orixás Velhos, verdadeiros magos que velando suas formas cármicas, revestem-se das roupagens de Pretos-Velhos ensinando e praticando as verdadeiras "mirongas". Eles são a doutrina, a filosofia, o mestrado da magia, em fundamentos e ensinamentos. Geralmente gostam de trabalhar e consultar sentados, fumando cachimbo, sempre numa ação de fixação e eliminação através de sua fumaça.

Seus fluídos são fortes, porque fazem questão de "pegar bem" o aparelho e o cansam muito, principalmente pela parte dos membros inferiores, conservando-o sempre curvo. Falam compassado e pensam bem no que dizem. Raríssimos os que assumem a Chefia de Cabeça, mas são os auxiliares dos outros "Guias"- o seu braço direito. Os pontos cantados nos revelam uma melodia tristonha e um rítmo mais compassado, dolente, melancólico, traduzindo verdadeiras preces de humildade.

Linhas Legiões e Falanges

Cada linha compõe-se de sete legiões, tendo cada legião o seu chefe. Cada legião divide-se em sete grandes falanges, que por sua vez também tem um chefe e cada falange divide-se em sete sub-falanges e assim por diante, obedecendo a um critério lógico.

Agora apresentaremos as linhas e seus Orixás com os seus respectivos chefes de legiões.

OXALÁ (ou ORIXALÁ)

(ORI é Luz, Reflexo; XA è Senhor, Fogo; é Deus, Divino). Portanto, A LUZ DO SENHOR DEUS

Os Setes Chefes de Legião da Vibração Espiritual de Oxalá:

CABOCLO URUBATÃO DA GUIA:

Caboclo Guaracy: intermediário para Ogum

Caboclo Guarani: intermediário para Oxossi

Caboclo Aymoré: intermediário para Xangô

Caboclo Tupy: intermediário para Yorimá

Caboclo Ubiratan: intermediário para Yori

Caboclo Ubirajara: intermediário para Yemanjá

OXOSSI

(OX é Ação ou Movimento; O é Círculo; SSI é Viventes da Terra). Portanto, A POTÊNCIA QUE DOUTRINA, O CATEQUIZADOR DE ALMAS

Os Setes Chefes de Legião da Vibração Espiritual de Oxossi:

CABOCLO ARRANCA-TOCO:

Caboclo Araribóia: Intermediário Para Ogum

Caboclo Arruda: Intermediário Para Oxalá

Caboclo Cobra-Coral: Intermediário Para Xangô

Caboclo Tupinambá: Intermediário Para Yorimá

Cabocla Jurema: Intermediário Para Yori

Caboclo Pena-Branca: Intermediário Para Yemanjá

OGUM

(OG é Glória, Salvação; AUM é Fogo, Guerreiro). Portanto, O GUERREIRO CÓSMICO PACIFICADOR, O FOGO DA GLÓRIA

Os Setes Chefes de Legião da Vibração Espiritual de:

CABOCLO OGUM DILÊ:

Caboclo Ogum Matinata: intermediário para Oxalá

Caboclo Ogum Rompe-Mato: intermediário para Oxossi

Caboclo Ogum Beira-Mar: intermediário para Xangô

Caboclo Ogum De Malé: intermediário para Yorimá

Caboclo Ogum Megê: intermediário para Yori

Caboclo Ogum Yara: intermediário para Yemanjá

XANGÔ

(XA é Senhor, Dirigente; ANGÔ é Raio, Alma). Portanto, O SENHOR DIRIGENTE DAS ALMAS

Os Setes Chefes de Legião da Vibração Espiritual de Xangô:

CABOCLO XANGÔ KAÔ:

Caboclo Xangô Pedra-Branca: intermediário para Oxalá

Caboclo Xangô Agodô: intermediário para Oxossi

Caboclo Xangô Sete Montanhas: intermediário para Ogum

Caboclo Xangô Sete Cachoeiras: intermediário para Yori

Caboclo Xangô Pedra-Preta: intermediário para Yorimá

Caboclo Xangô Sete Pedreiras: intermediário para Yemanjá

YORIMÁ

(YO é Potência, Ordem, Princípio; RI é Reinar, Iluminado; é Lei, Regra). Portanto, PRINCÍPIO OU POTÊNCIA REAL DA LEI

Os Setes Chefes de Legião da Vibração Espiritual de Yorimá:

PAI GUINÉ

Pai Tomé: intermediário para Oxalá

Pai Joaquim: intermediário para Oxossi

Pai Benedito: intermediário para Ogum

Vovó Maria Conga: intermediário para Xangô

Pai Congo D’aruanda: intermediário para Yori

Pai Arruda: intermediário para Yemanjá

YORI

(YO é Potência, Ordem, Princípio; RI é Reinar, Iluminado; ORI é Luz, Esplendor). Portanto, POTÊNCIA DOS PUROS OU DA PUREZA

Os Setes Chefes de Legião da Vibração Espiritual de Yori:

TUPANZINHO:

Ori: intermediário para Oxalá

Damião: intermediário para Oxossi

Yari: intermediário para Ogum

Doum: intermediário para Xangô

Cosme: intermediário para Yorimá

Yariri: intermediário para Yemanjá

YEMANJÁ

(YE é Mãe, Princípio Gerante; MAN é O Mar, A Água, Lei das Almas; é Matriz, Maternidade). Portanto, A SENHORA DA VIDA

Os Setes Chefes de Legião da Vibração Espiritual de Yemanjá:

CABOCLA YARA:

Cabocla Estrela Do Mar: intermediário para Oxalá

Cabocla Indaiá: intermediário para Oxossi

Cabocla Do Mar: intermediário para Ogum

Cabocla Iansã: intermediário para Xangô

Cabocla Nanã Burukun: intermediário para Yorimá

Cabocla Oxum: intermediário para Yori



OS GUIAS E AS LINHAS

Os Caboclos, Pretos-Velhos e Crianças, que fazem parte da chamada Corrente Astral de Umbanda, trabalham dentro de uma das Sete Linhas de Umbanda: Orixalá, Ogum, Oxossi, Xangô, Yorimá, Yori e Yemanjá.

Os Caboclos que trabalham nos terreiros são das seguintes Linhas: Orixalá (estes não incorporam, somente passam vibrações), Ogum, Oxossi, Xangô e Yemanjá;

Os Pretos-Velhos são da Linha de Yorimá;

E as Crianças da Linha de Yori.