terça-feira, 12 de março de 2013

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Nàná Não Aceita Render Homenagens a Ògún


Nàná Não Aceita Render Homenagens a Ògún

Hoje vamos discorrer uma antiga história do Candomblé, muito versada nos tradicionais Terreiros de Salvador, a qual aborda dois dos mais venerados Òrìsàs do panteão Nàgó; Nàná a antiga Deusa dos pântanos e Ògún, o Deus do ferro.

Nàná e Ògún foram participar de um clero no qual estariam as demais Divindades do Candomblé. O objetivo dessa reunião era discutir os poderes de cada Òrìsà, bem como a importância desses poderes entre eles.

Logo no início, eles destacaram a importância de Òsàlá, a Divindade que criou os seres, que por meio do sopro divinizado dá vida à humanidade. Salientaram os poderes divinatórios de Orunmilá, o testemunha do destino das pessoas, aquele que se senta ao lado de Deus. Lembraram-se sobre o papel singular de Èsù para a vida não somente dos humanos, mas também para os demais Deuses. Recordaram da importância de Ori, a Divindade que cuida da cabeça das pessoas.

Dado momento da reunião, todos começaram a ressaltar a importância de Ògún. Os Òrìsàs teciam elogios ao Deus do ferro, mencionando que é por meio dos instrumentos construídos por Ògún que eles podem viver. Um disse que é por meio da enxada que Ògún fabricou que é possível tirar o alimento da terra. Outra Divindade mencionou que eles comem por meio do facão de Ògún. Eles exclamavam: “Nós precisamos muito de Ògún, todos devemos prestar homenagens a Ògún”.

Nesse momento, no entanto, Nàná mostrou seu descontentamento: “Como assim, o trabalho de Ògún não é tão importante com vocês estão falando”. Nàná disse ainda, que não dependia de Ògún para nada e que jamais iria lhe render homenagens.

Ògún, por sua vez afirmou: “Nàná, se todas as outras Divindades concordam em me prestar homenagens, você também deve fazer”. 

Desse modo, Nàná e Ògún ficaram um longo tempo discutindo, cada um defendendo os seus argumentos.

Nàná finalizou dizendo que ela não prestaria homenagem sequer a Ògún, que a interpelou dizendo: “Já que é assim, você Nàná não poderá usar nada que é meu por origem. Você não poderá usar a faca, ou nada que seja de metal em seu culto”.

Todos acharam justo e, a partir desse dia, no culto de Nàná não utilizamos as ferramentas confeccionadas por Ògún, o Deus do ferro.

Que Òsùmàrè Aràká continue olhando e abençoando todos!
Terreiro de Òsùmàrè

Como Obara Tornou-se Rico



Jamais Desdenhe de Um Presente, Como Obara Tornou-se Rico

Uma antiga história Nàgó, conta que havia quatro amigos que de nove e nove dias realizavam a consulta de Ifá para Olofin. Um desses amigos se chamava Obara.

Sempre que eles realizam o jogo de Ifá, Olofin os presenteava de alguma forma. Certa vez, querendo agradecer todos os trabalhos realizados, Olofin bastante generoso, pegou quatro abóboras colocando uma grande riqueza dentro de cada uma. 

Em uma ele colocou dinheiro, em outras duas ele colocou contas muito raras e caras e em outra, roupas que somente os reis usam de valor inestimável. Após fazer isso, Olofin chamou Èsù, que de forma mágica, fechou as abóboras fazendo aparentar que as mesmas nunca haviam sido abertas. A intenção de Olofin, era presentear cada um dos amigos com uma abóbora, deixando-os ricos.

Quando os amigos chegaram na casa do grande Olofin, eles realizaram o jogo de Ifá, como de costume. Ao final, Olofin entregou uma abóbora para cada um dos quatro amigos. No entanto, três deles desdenharam do presente, entregando todas para Obara, que não as recusou, juntando com a abóbora que ele mesmo havia recebido de Olofin.

Ao chegar em sua casa, Obara entregou as abóboras para sua esposa, que disse: “Obara, eu não quero abóboras, o que vou fazer com abóboras?”. Como estava com fome, Obara resolveu preparar o presente para que pudesse comer. 

Ao abrir a primeira, ele descobriu que dentro havia uma grande quantidade de dinheiro, espantado ele foi abrindo uma por uma e descobrindo a riqueza que havia nelas. Obara a partir de então tornou-se rico e poderoso. Quando as pessoas lhe perguntavam como ele havia ficado tão rico, ele respondia: “Com Abóboras”.

Que Òsùmàrè Aràká continue olhando e abençoando todos!
Terreiro de Òsùmàrè

sábado, 26 de janeiro de 2013

Onilé



É uma divindade feminina relacionada aos aspectos essenciais da natureza, e originalmente exercia seu patronato sobre tudo o que se relaciona à apropriação da natureza pelo homem, o que inclui a agricultura, a caça, a pesca e a própria fertilidade. 

Com as transformações da sociedade Yorubá numa sociedade patriarcal ou patrilinear, que implicou a constituição de linhagens e clãs familiares fundados e chefiados por antepassados masculinos, as mulheres perderam o antigo poder que tiveram numa primeira etapa (um mito relata que, numa disputa entre Oyá e Ogum, os homens teriam arrebatado o poder que era antes de domínio das mulheres). 

Os antepassados divinizados tomaram o lugar das divindades primordiais e houve uma nova divisão de trabalho entre os Orixás. As divindades femininas antigas tiveram então seu culto reorganizado em torno de entidades femininas genéricas, as Iyami Oxorongás, consideradas bruxas maléficas pelo fato de representarem sempre um perigo para o poder masculino. 

Vários Orixás tiveram divididas entre si as atribuições de zelar pela Terra: o subsolo ficou para Olwuaye e para Ogum, o solo para Orixá Oko e Ogum, a vegetação e a caça para os Odés e Ossanha e assim por diante. A fertilidade das mulheres foi o atributo que restou às divindades femininas, já que é a mulher quem dá a luz, que reproduz e dá continuidade à vida. 

Constituiriam-se elas então em Orixás dos rios, representando a própria água, que fertiliza a terra e permite a vida: são as Yabás Oxum, Yemanjá, Obá, Oyá, Ewá e também Nanã, que como antiga divindade da terra, representa a lama do fundo do rio, simbolizando a fertilização da terra pela água.

Onilé teve seu culto preservado na África, mas perdendo muitas das antigas atribuições. Hoje ela representa nossa ligação elemental com o planeta em que vivemos, nossa origem primitiva. 

É a base de sustenção da vida, é o nosso mundo material. Embora sua importância seja crucial do ponto de vista da concepção religiosa de universo, os devotos a ela pouco recorrem, pois seu culto não trata de aspectos particulares do mundo e da vida cotidiana, preferindo cada um dirigir-se aos Orixás que cuidam desses aspectos específicos. 

Na Nigéria mantém-se viva a ideia de que Onilé é a base de toda a vida, tanto que, quando se faz um juramento, jura-se por Onilé. Nessas ocasiões, é ainda costume pôr na boca alguns grãos de terra, às vezes dissolvida na água que se bebe para selar o juramento, para lembrar que tudo começa com Onilé, a Terra Mãe, tanto na vida como na morte.

Um mito ensina qual é a atribuição principal de Onilé, como ela está associada ao chão que pisamos e sobre o qual vivemos, nosso mundo material. Assim conta o mito:

Onilé era a filha mais recatada e discreta de Olodumaré. Vivia trancada na casa do pai e quase ninguém a via. Quase nem se sabia de sua existência. 

Quando os Orixás, seus irmãos se reuniam no palácio do grande Pai para as grandes audiências, em que Olodumaré comunicava suas decisões, Onilé fazia um buraco no chão e se escondia, pois sabia que as reuniões sempre terminavam em festa, com muita música e dança ao ritmo dos atabaques. Onilé não se sentia bem no meio dos outros. 

Um dia o grande deus mandou os seus arautos avisarem: haveria uma grande reunião no palácio e os Orixás deviam comparecer ricamente vestidos, pois ele iria distribuir entre os filhos as riquezas do mundo e depois haveria muita comida, música e dança. 

Por todos os lugares os mensageiros gritaram esta ordem e todos se prepararam com esmero para o grande acontecimento. Quando chegou por fim o grande dia, cada Orixá dirigiu-se ao palácio na maior ostentação, cada um mais belamente vestido do que o outro, pois este era o desejo de Olodumaré. Yemanjá chegou vestida com a espuma do mar, os braços ornados de pulseiras de algas marinhas, a cabeça cingida por um diadema de corais e pérolas e o pescoço emoldurado por uma cascata de madrepérolas. 

Oxóssi escolheu uma túnica de ramos macios, enfeitada de peles e plumas dos mais exóticos animais. Ossanha vestiu-se com um manto de folhas perfumadas. Ogum preferiu uma couraça de aço brilhante, enfeitada com tenras folhas de palmeira. 

Oxum escolheu cobrir-se de ouro, trazendo nos cabelos as águas verdes dos rios. As roupas de Oxumaré mostravam todas as cores, trazendo nas mãos os pingos frescos da chuva. Iansã escolheu para vestir-se um sibilante vento e adornou os cabelos com raios que colheu da tempestade. 

Xangô não deixou por menos e cobriu-se com o trovão. Oxalá trazia o corpo envolto em fibras alvíssimas de algodão e a testa ostentando uma nobre pena vermelha de papagaio. E assim por diante.

Não houve quem não usasse toda a criatividade para apresentar-se ao grande pai com a roupa mais bonita. Nunca se vira antes tanta ostentação, tanta beleza, tanto luxo. 

Cada Orixá que chegava ao palácio de Olodumaré provocava um clamor de admiração, que se ouvia por todas as terras existentes. Os Orixás encantaram o mundo com suas vestes. Menos Onilé.

Onilé não se preocupou em vestir-se bem, não se interessou por nada, não se mostrou para ninguém e recolheu-se a uma funda cova que cavou no chão. 

Quando todos os Orixás haviam chegado, Olodumaré mandou que fossem acomodados confortavelmente, sentados em esteiras dispostas ao redor do trono. Ele disse então à assembléia que todos eram bem vindos. Que todos os filhos haviam cumprido seu desejo e que estavam tão bonitos que ele não saberia escolher entre eles qual seria o mais vistoso e belo. Tinha todas as riquezas do mundo para dar a eles, mas nem sabia como começar a distribuição. 

Então Olodumaré disse que os próprios filhos, ao escolherem o que achavam o melhor da natureza, para com aquela riqueza se apresentar perante o pai, eles mesmos já tinham feito a divisão do mundo. Então Yemanjá ficava com o mar, Oxum com o ouro e os rios. A Oxóssi deu as matas e todos os seus bichos, reservando as folhas para Ossanha. Deu à Iansã os raios e a Xangô o trovão. 

Fez Oxalá dono de tudo que é branco e puro, de tudo que é o princípio, deu-lhe a criação. Destinou a Oxumaré o arco íris e a chuva. A Ogum deu o ferro e tudo o que se faz com ele, inclusive a guerra. E assim por diante. Deu a cada Orixá um pedaço do mundo, uma parte da natureza, um governo particular. 

Dividiu de acordo com o gosto de cada um. E disse que a partir de então, cada um seria o dono e governador daquela parte da natureza. Assim, sempre que um humano tivesse alguma necessidade relacionada com uma daquelas partes da natureza, deveria dar uma oferenda ao Orixá que a possuísse.

Pagaria em oferendas de comida, bebida ou outra coisa que fosse da predileção do Orixá. Os Orixás, que tudo ouviram em silêncio, começaram a gritar e a dançar de alegria, fazendo um grande alarido na corte. Olodumaré pediu silêncio, ainda não havia terminado. 

Disse que faltava ainda a mais importante das atribuições. Que era preciso dar a um dos filhos o governo da Terra, o mundo no qual os humanos viviam e onde produziam as comidas, bebidas e tudo o mais que deveriam ofertar aos Orixás. 

Disse que dava a Terra a quem se vestia da própria Terra. Quem seria? perguntavam-se todos? "Onilé", respondeu Olodumaré. "Onilé?", todos se espantaram. Como, se ela nem sequer viera à grande reunião? Nenhum dos presentes a vira até então. Nenhum sequer notara sua ausência. 

"Pois Onilé está entre nós", disse Olodumaré e mandou que todos olhassem no fundo da cova, onde se abrigava, vestida de terra, a discreta e recatada filha. Ali estava Onilé, em sua roupa de terra. Onilé, a que também foi chamada de Ilê, a casa, o planeta. 

Olodumaré disse que cada um que habitava a Terra pagasse tributo a Onilé, pois ela era a Mãe de todos, o abrigo, a casa. A humanidade não sobreviveria sem Onilé. Afinal, onde ficava cada uma das riquezas que Olodumaré partilhara entre seus filhos Orixás? "Tudo está na Terra", disse Olodumaré. 

"O mar e os rios, o ferro e o ouro, os animais e as plantas, tudo", continuou. "Até mesmo o ar e o vento, a chuva e o arco íris, tudo existe porque a Terra existe, assim como as coisas criadas para controlar os homens e os outros seres vivos que habitam o planeta, como a vida, a saúde, a doença e mesmo a morte".Pois então, que cada um pagasse tributo a Onilé, foi a sentença final de Olodumaré. 

Onilé, Orixá da Terra, receberia mais presentes que os outros, pois deveria ter oferendas dos vivos e dos mortos, pois na Terra também repousam os corpos dos que já não vivem. Onilé, também chamada Aiê, a Terra, deveria ser propiciada sempre, para que o mundo dos humanos nunca fosse destruído. Todos os presentes aplaudiram as palavras de Olodumaré. 

Todos os Orixás aclamaram Onilé. Todos os humanos propiciaram a mãe Terra. E então Olodumaré retirou-se do mundo para sempre e deixou o governo de tudo por conta de seus filhos. Assim, este mito de modo didático e com muita beleza, situa o papel de Onilé no panteão dos deuses Yorubás. 

Como é estrutural nos mitos, o tempo da narrativa não é histórico, dando a impressão de que os cultos dos diferentes Orixás foram instituídos a um só tempo, num só ato do supremo Deus. A narrativa enfatiza, contudo, a concepção básica da religião dos Orixás, isto é, que cada Orixá é um aspecto da natureza, uma dimensão particular do mundo em que vivemos. 

Eles são o próprio mundo, com suas forças, elementos, energias e propriedades. Mundo este que tem por base Onilé, a Terra, o planeta que habitamos, o nosso lar no universo. Na África Yorubá, Onilé ocupa lugar central no culto da sociedade masculina secreta Ogboni. Louvar Onilé é celebrar as origens. 

Por isso, quando aparecem junto aos humanos, os antepassados egunguns saúdam Onilé, lembrando-nos que ela é anterior a tudo, mesmo às linhagens mais antigas da humanidade. 

Onilé é assentada num montículo de terra vermelha, que representa o coração da Terra, que é trazida de dentro do solo pelas formigas. Há uma quartinha com água, pois não há vida na Terra desprovida de água. A quartinha dentro da terra simboliza que a água vem de dentro da Terra e que é assim a primeira dádiva de Onilé.


A água que jorra do solo, forma os regatos, rios, lagos e o próprio mar, de onde sobe para as nuvens e se precipita em chuva, voltando ao solo e subsolo, num ciclo permanente de propiciação da vida. 

O assentamento é coberto com moedas e búzios, que entre os antigos iorubanos era dinheiro, representando toda a riqueza e prosperidade que está na Terra, que dela extraímos e na qual vivemos. Vermelho e marrom, cores da terra, são as contas apropriadas para colares que homenageiam Onilé. Na África, os sacrifícios feitos a Onilé incluem caracóis, aves fêmeas e tartarugas (Abimbola, 1977: 111). 

No Brasil, a legislação pune como crime inafiançável o sacrifício de animais ameaçados de extinção e, por isso, a tartaruga é substituída pela cabra. Aliás, matar um animal em extinção seria uma ofensa imperdoável à Onilé, que é a própria natureza, a grande Mãe da ecologia. 

Além desses animais, dá-se para Onilé tudo o que a terra produz e que o homem transforma: obis, orobôs e todas as demais frutas, inhame e outros tubérculos, feijões, milho, favas, mel, dendê, sal, vinho e tudo mais que vem da terra pela mão do homem. Onilé, isto é, a Terra. Tem muitos inimigos que a exploram e podem destruí-la. 

Para muitos seguidores da religião dos Orixás, interessados em recuperar a relação Orixá-natureza, o culto de Onilé representaria a preocupação com a preservação da própria humanidade e de tudo que há em seu mundo. Pois é Onilé quem guarda o planeta e tudo que há sobre ele, protegendo o mundo em que vivemos e possibilitando a própria vida de tudo o que vive: as plantas, os bichos e a humanidade.

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O CULTO DOS EGUNGUS




O CULTO DOS EGUNGUS

Através do culto aos ancestrais, os Egun ou Egungum é possível reconstruir origens, etnias, memória. Essa memória, enraizada na multiplicidade da herança negro-africana, expande com força total, um ethos que passando a diversidade de suas expressões manifestas - Nagô, Jeje, Angola, Cango, etc. - permite revelar estruturas, valores, normas, denominadores comuns onde a questão da ancestralidade mítica e histórica, marca a existência de uma forte comunalidade. É na memória e no culto aos antepassados que essa comunalidade se afirma (MESTRE DIDI)

Egungun ou Egun, espírito ancestral de pessoa importante, homenageado no Culto aos Egungun, esse culto é feito em casas separadas das casas de Orixá. No Brasil o culto principal à Egungun é praticado na Ilha de Itaparíca no Estado da Bahia mas existem casas em outros Estados.

Os yorubás, então, cultuam os espíritos dos "mais velhos" de diversas formas, de acordo com a hierarquia que tiveram dentro da comunidade e com a sua atuação em prol da preservação e da transmissão dos valores culturais. E só os espíritos especialmente preparados para serem invocados e materializados é que recebem o nome Egun, Egungun, Babá Egun ou simplesmente Babá (pai), sendo objeto desse culto todo especial.

Porque o objetivo principal do cultos dos Egun é tornar visível os espíritos dos ancestrais, agindo como uma ponte, um veículo, um elo entre os vivos e seus antepassados. E ao mesmo tempo que mantém a continuidade entre a vida e a morte, o culto mantém estrito controle das relações entre os vivos e mortos, estabelecendo uma distinção bem clara entre os dois mundos: o dos vivos e o dos mortos (os dois níveis da existência)

Os Egungun se materializam, aparecendo para os descendentes e fiéis de uma forma espetacular, em meio a grandes cerimônias e festas, com vestes muito ricas e coloridas, com símbolos característicos que permitem estabelecer sua hierarquia.

Os Babá-Egun ou Egun-Agbá (os ancestrais mais antigos) se destacam por estar cobertos de búzios, espelhos e contas e por um conjunto de tiras de pano bordadas e enfeitadas que é chamado Abalá, além de uma espécie de avental chamado Bantê, e por emitirem uma voz característica, gutural ou muito fina. Os Aparaká são Egun mais jovens: não têm Abalá nem Bantê e nem uma forma definida; e são ainda mudos e sem identidade revelada, pois ainda não se sabe quem foram em vida.

Acredita-se, então, que sob as tiras de pano encontra-se um ancestral conhecido ou, se ele não é reconhecível, qualquer coisa associada à morte. Neste último caso, o Egungun representa ancestrais coletivos que simbolizam conceitos morais e são os mais respeitados e temidos entre todos os Egungun, guardiães que são da ética e da disciplina moral do grupo.

No símbolo "Egungun" está expresso todo o mistério da transformação de um ser deste-mundo num ser-do-além, de sua convocação e de sua presença no Aiyê (o mundo dos vivos). Esse mistério (Awo) constitui o aspecto mais importante do culto.(Fonte-Wikipédia)

O Egun é a morte que volta à terra em forma espiritual e visível aos olhos dos vivos. Ele "nasce" através de ritos que sua comunidade elabora e pelas mãos dos ojé (sacerdotes) munidos de um instrumento invocatório, um bastão chamado ixan, que, quando tocado na terra por três vezes e acompanhado de palavras e gestos rituais, faz com que a "morte se torne vida", e o Egungun ancestral individualizado está de novo "vivo".

A aparição dos Eguns é cercada de total mistério, diferente do culto de Orisa, em que o transe acontece durante as cerimônias públicas, perante olhares profanos, fiéis e iniciados. O Egungun simplesmente surge no salão, causando impacto visual e usando a surpresa como rito. Apresenta-se com uma forma corporal humana totalmente recoberta por uma roupa de tiras multicoloridas, que caem da parte superior da cabeça formando uma grande massa de panos, da qual não se vê nenhum vestígio do que é ou de quem está sob a roupa. Fala com uma voz gutural inumana, rouca, ou às vezes aguda, metálica e estridente — característica de Egun, chamada de séégí ou sé, e que está relacionada com a voz do macaco marrom, chamado ijimerê na Nigéria.

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UMA LENDA DE NANÃ



Lenda de Nanã!

Dizem que quando Olorum encarregou Osalá de fazer o mundo e modelar o ser humano, o Òrìsà tentou vários caminhos. 

Tentou fazer o homem de ar, como ele. Não deu certo, pois o homem logo se desvaneceu. Tentou fazer de pau, mas a criatura ficou dura. De pedra, mas ainda a tentativa foi pior. 

Fez de fogo e o homem se consumiu. Tentou azeite, água e até vinho de palma, e nada. Foi então que Nanã veio em seu socorro e deu a Osalá a lama, o barro do fundo da lagoa onde morava ela, a lama sob as águas, que é Nanã. 

Osalá criou o homem, o modelou no barro. Com o sopro de Olorum ele caminhou. Com a ajuda dos òrìsà povoou a Terra. Mas tem um dia que o homem tem que morrer. 

O seu corpo tem que voltar à terra, voltar à natureza de Nanã. Nanã deu a matéria no começo mas quer de volta no final tudo o que é.

Sálubà!

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