sábado, 8 de setembro de 2012

Alguns nomes dos erês

Alguns nomes dos erês:

Erê de Oxalá:

Julinha, Ritinha, Rubinho, Pngo d'água, cristal, nuvenzinha, nuvem de prata, chuva de prata, Varinha, cajado, pilãozinho, pombinho de prata, LIRÍO BRANCO, lança pratiada, CRAVINHO BRANCO, alazão branco, Caracol, passaro branco, Atori.

Erê de Yemanjá:

Mariazinha, Pedrinho, Conchinha, estrelinha, marezinha, gotinha, Conchinha Prateada, CAVALO MARINHO, estrelinha do mar, Brisa do Mar, Ondinha do Mar.

Erê de Ewá:

Olhos de Aguia, brisa, garoa.

Erê de Xangô:

trovaozinho, trovão, machadinho, rochinha, montanha, larva de fogo, leãozinho, Faisca, tochinha, JOÃOZINHO DA CACHOEIRA, reizinho do fogo, mariazinha da pedreira, JUCA TROVAO.

Erê de Nanã:

Pantano, lâminha, pantanal, manguinho, orvalho, lagoa prateada.

Erês de Ogum:

Escudinho, Maruô, Ferrinho, soldado, joaozinho, espadinha, facão, carazinho, azulão, ferreiro.

Ere de Yansã:
tempestade, ventania, furacão, raio de fogo, pararraio, Brasinha dos Ventos, RÊLAMPAGO DE FOGO.

Erês de logum:

peixinho, Pàssaro Dourado, lírio do campo, Flexinha dourada, Gavião Dourado, Arco Dourado.

Erês de Oxum:

pepita, chuvisco dourado, nascente, MIMO DE OURO, pedrinho da cahoeira, GOTINHA DOURADA, lagoa dourada, Queda D'água, Espelho de ouro, Raio de Lua, Gota de Ouro, principe ds aguas, Pedra Dourada, florzinha de ouro.

Erês de Ossae:

folhinha, cabacinha, cachimbinho, Aroini.

Erês de Oxossi/odé:

flechinha, setinha, indiozinho, faizao, rosinha da mata, corisco caçador, OFASINHO PRATEADO, Caçador das nuvens, Arco Verde.

Erês de Oxumarê:

serpente, arco - iris, GUIZO DOURADO,

Erês de Omolu

palhinha, pipoca, xaxara, Deburu

Ere de Bara:

ENCRENCA

Erê de obá:

Ipoméia.


AS CRIANÇAS ERÊS ( BEIJADA )

São a alegria que contagia a Umbanda e também no Candomblé, sendo este a voz do Orixá. 

Descem nos terreiros simbolizando a pureza, a inocência e a singeleza. Seus trabalhos se resumem em brincadeiras e divertimentos. Podemos pedir-lhes ajuda para os nossos filhos, resolução de problemas, fazer confidências, mexericos, mas nunca para o mal, pois eles não atendem pedidos dessa natureza. 

São espíritos que já estiveram encarnados na terra e que optaram por continuar sua evolução espiritual através da prática de caridade, incorporando em médiuns nos terreiros de Umbanda. 

Em sua maioria, foram espíritos que desencarnaram com pouca idade (terrena), por isso trazem características de sua última encarnação, como o trejeito e a fala de criança, o gosto por brinquedos e doces.

Assim como todos os servidores dos Orixás, elas também tem funções bem específicas, e a principal delas é a de mensageiro dos Orixás, sendo extremamente respeitados pelos caboclos e pelos pretos-velhos. 

É uma falange de espíritos que assumem em forma e modos, a mentalidade infantil. Como no plano material, também no plano espiritual, a criança não se governa, tem sempre que ser tutelada. 

É a única linha em que a comida de santo (Amalás), leva tempero especial (açúcar). É conhecido nos terreiros de Nação e Candomblé, como (ÊRES ou IBEJI). 

Na representação nos pontos riscados, Ibeji é livre para utilizar o que melhor lhe aprouver. A linha de Ibeji é tão independente quanto à linha de Exu. Ibeijada, Erês, Dois-Dois, Crianças, Ibejis, são esses vários nomes para essas entidades que se apresentam de maneira infantil. 

No Candomblé, o Erê, tem uma função muito importante. Como o Orixá não fala, é ele quem vem para dar os recados do pai. É normalmente muito irrequieto, barulhento, às vezes brigão, não gosta de tomar banho, e nas festas se não for contido pode literalmente botar fogo no oceano. 

Ainda no Candomblé, o Erê tem muitas outras funções, o Yaô, virado no Erê, pode fazer tudo o que o Orixá não pode, até mesmo as funções fisiológicas do médium, ele pode fazer. 

O Erê muitas vezes em casos de necessidade extrema ou perigo para o médium, pode manifestar-se e trazê-lo para a roça, pegando até mesmo uma condução se for o caso.

Na Umbanda mais uma vez, vemos a diferença entre as entidades/divindades. A Criança na Umbanda é apenas uma manifestação de um espírito cujo desencarne normalmente se deu em idades infanto-juvenis. 

São tão barulhentos como os Erês, embora alguns são bem mais tranqüilos e comportados. No Candomblé, os Erês, tem normalmente nomes ligados ao dono da coroa do médium. 

Para os filhos de Obaluaiê, Pipocão, Formigão. 
Para os de Oxossi, Pingo Verde, Folinha Verde.
Para os de Oxum, Rosinha, 
Para os de Yemanjá, Conchinha Dourada. 

As Crianças da Umbanda tem os nomes relacionados normalmente a nomes comums, normalmente brasileiros. 

Rosinha, Mariazinha, Ritinha, Pedrinho, Paulinho, Cosminho, etc...As crianças de Umbanda comem bolos, balas, refrigerantes, normalmente guaraná e frutas, os Erês do Candomblé além desses, comem frangos e outras comidas ritualisticas como o Caruru, etc... 

Isso não quer dizer que uma Criança de Umbanda não poderá comer Caruru, por exemplo. Com Criança tudo pode acontecer. 

Quando incorporadas em um médium, gostam de brincar, correr e fazer brincadeiras (arte) como qualquer criança. É necessária muita concentração do médium (consciente), para não deixar que estas brincadeiras atrapalhem na mensagem a ser transmitida. 

Os "meninos" são em sua maioria mais bagunceiros, enquanto que as "meninas" são mais quietas e calminhas. Alguns deles incorporam pulando e gritando, outros descem chorando, outros estão sempre com fome, etc... 

Estas características, que às vezes nos passam desapercebido, são sempre formas que eles têm de exercer uma função específica, como a de descarregar o médium, o terreiro ou alguém da assistência. 

Os pedidos feitos a uma criança incorporada normalmente são atendidos de maneira bastante rápida. Entretanto a cobrança que elas fazem dos presentes prometidos também é. 

Nunca prometa um presente a uma criança e não o dê assim que seu pedido for atendido, pois a "brincadeira" (cobrança) que ela fará para lhe lembrar do prometido pode não ser tão "engraçada" assim. Poucos são aqueles que dão importância devida às giras das vibrações infantis. 

A exteriorização da mediunidade é apresentada nesta gira sempre em atitudes infantis. O fato, entretanto, é que uma gira de criança não deve ser interpretada como uma diversão, embora normalmente seja realizada em dias festivos, e às vezes não consigamos conter os risos diante das palavras e atitudes que as crianças tomam. 

Mesmo com tantas diferenças é possível notar-se a maior características de todos, que é mesmo a atitude infantil, o apego a brinquedos, bonecas, chupetas, carrinhos e bolas, como os quais fazem as festas nos terreiros, com as crianças comuns que lá vão a busca de tais brinquedos e guloseimas nos dias apropriados. 

A festa de Cosme e Damião, santos católicos sincretizados com Ibeiji, à 27 de Setembro é muito concorrida em quase todos os terreiros do pais. Uma curiosidade: Cosme e Damião foram os primeiros santos a terem uma igreja erigida para seu culto no Brasil. 

Ela foi construída em Igarassu, Pernambuco e ainda existe. Não gostam de desmanchar demandas, nem de fazer desobsessões. Preferem as consultas, e em seu decorrer vão trabalhando com seu elemento de ação sobre o consulente, modificando e equilibrando sua vibração, regenerando os pontos de entrada de energia do corpo humano. 

Esses seres, mesmo sendo puros, não são tolos, pois identificam muito rapidamente nossos erros e falhas humanas. E não se calam quando em consulta, pois nos alertam sobre eles. 

Muitas entidades que atuam sob as vestes de um espírito infantil, são muito amigas e têm mais poder do que imaginamos. Mas como não são levadas muito a sério, o seu poder de ação fica oculto, são conselheiros e curadores, por isso foram associadas à Cosme e Damião, curadores que trabalhavam com a magia dos elementos. 

MAGIA DA CRIANÇA o elemento e força da natureza correspondente a Ibeji são... todos, pois ele poderá, de acordo com a necessidade, utilizar qualquer dos elementos. 

Eles manipulam as energias elementais e são portadores naturais de poderes só encontrados nos próprios Orixás que os regem. Estas entidades são a verdadeira expressão da alegria e da honestidade, dessa forma, apesar da aparência frágil, são verdadeiros magos e conseguem atingir o seu objetivo com uma força imensa, atuam em qualquer tipo de trabalho, mas, são mais procurados para os casos de família e gravidez. 

A Falange das Crianças é uma das poucas falanges que consegue dominar a magia. Embora as crianças brinquem, dancem e cantem, exigem respeito para o seu trabalho, pois atrás dessa vibração infantil, se escondem espíritos de extraordinários conhecimentos. 

Imaginem uma criança com menos de sete anos possuir a experiência e a vivência de um homem velho e ainda gozar a imunidade própria dos inocentes. A entidade conhecida na umbanda por erê é assim. 

Faz tipo de criança, pedindo como material de trabalho chupetas, bonecas, bolinhas de gude, doces, balas e as famosas águas de bolinhas -o refrigerante e trata a todos como tio e vô. 

Os erês são, via de regra, responsáveis pela limpeza espiritual do terreiro. ONDE MORAM AS CRIANÇAS A respeito das crianças desencarnadas, passamos a adaptar um interessante texto de Leadbeater, do seu livro "O que há além da Morte". 

A vida das crianças no mundo espiritual é de extrema felicidade. O espírito que se desprende de seu corpo físico com apenas alguns meses de idade, não se acostumou a esse e aos demais veículos inferiores, e assim a curta existência que tenha nos mundos astral e mental lhe será praticamente inconsciente. 

Mas o menino que tenha tido alguns anos de existência, quando já é capaz de gozos e prazeres inocentes, encontrará plenamente nos planos espirituais as coisas que deseje. A população infantil do mundo espiritual é vasta e feliz, a ponto de nenhum de seus membros sentir o tempo passar. As almas bondosas que amaram seus filhos continuam a amá-los ali, embora as crianças já não tenham corpo físico, e acompanham-nas em seus brinquedos ou em adverti-las a evitar aproximarem-se de quadros pouco agradáveis do mundo astral. 

Quando nossos corpos físicos adormecem, acordamos no mundo das crianças e com elas falamos como antigamente, de modo que a única diferença real é que nossa noite se tornou dia para elas, quando nos encontram e falam, ao passo que nosso dia lhes parece uma noite durante a qual estamos temporariamente separados delas, tal qual os amigos se separam quando se recolhem à noite para os seus dormitórios. 

Assim, as crianças jamais acham falta do seu pai ou mãe, de seus amigos ou animais de estimação, que durante o sono estão sempre em sua companhia como antes, e mesmo estão em relações mais íntimas e atraentes, por descobrirem muito mais da natureza de todos eles e os conhecerem melhor que antes. 

E podemos estar certos de que durante o dia elas estão cheias de companheiros novos de divertimento e de amigos adultos que velam socialmente por elas e suas necessidades, tomando-as intensamente felizes. 

Assim é a vida espiritual das crianças que desencarnaram e aguardam, sempre felizes, acompanhadas e protegidas, uma nova encarnação. É claro que essas crianças, existindo dessa maneira, sentem-se profundamente entristecidas e constrangidas ao depararem-se com seus pais, amigos e parentes lamentando suas mortes físicas com gritos de desespero e manifestações de pesar ruidosas que a nada conduzem. 

O conhecimento da vida espiritual nos mostra que devemos nos controlar e nos apresentar sempre tranqüilos e seguros às crianças que amamos e que deixaram a vida física. Isso certamente as fará mais felizes e despreocupadas.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Sàngó Ensina Aganjú a Controlar o fogo



Sàngó Ensina Aganjú a Controlar o fogo:

Hoje, vamos contar uma história de Aganjún, Divindade da Família de Sàngó.

Aganjú é o Òrìsà da força, deidade do sol e dos vulcões (Obá Aganjú Oniná Oke - "Rei Aganjú, lava das montanhas..."), ele é a força em chamas que emerge da terra.


Aganjú passava por sérios problemas em seu reinado (vizinho à Òyó), sabedor disso, Sàngó o procurou, afim de "ajudá-lo". Próximo às terras de Aganjú, Sàngó ouviu vozes e, se escondeu entre as árvores, objetivando observar o que estava acontecendo. Ficou espantado ao ver um homem em chamas, era Aganjú. 

Ao lado dele estava Òsun, que com a sua água doce, tentava acalmar aquele homem em chamas. Aganjú estava muito nervoso, afinal, seu reino estava em decadência, não obstante, percebeu que havia alguém lhe olhando e, nervoso, indagou quem era. 

Sàngó mostrou-se, dizendo: "Sou Sàngó, o Aláàfìn Òyó". Irritado, Aganjú perguntava quem lhe havia dado permissão para entrar em suas terras. Sàngó disse que não precisava de autorizações, sendo ele o rei de Òyó. 

Cada vez mais furioso, Aganjú disse: 'Você não sabe a que perigo está se expondo com tanta ousadia! Sabe que posso transformá-lo em cinzas agora mesmo?". Rindo, Sàngó disse que se quisesse poderia transforma-se em fogo também. 

Intentando alarmar Aganjú, Sàngó se tomou por fogo, mostrando o seu poder e dizendo que queria apenas ajudá-lo. Aganjú, então, questionou de que forma Sàngó queria lhe ajudar. 

O rei de Òyó disse que poderia lhe ensinar a controlar seus poderes, sendo que Aganjú, acabava por queimar todos àqueles que se aproximavam e, que poderia ser uma espécie de "porta voz" do seu povo. 

Desconfiado, Aganjú perguntou porque ele estava fazendo isso; Sàngó disse que temia que os problemas chegassem à Òyó e por isso estava se prevenindo. 

Òsun, que continuava jogando água em Aganjú, percebia que aquela não era a verdadeira intenção de Sàngó. Aganjú disse que aceitaria a oferta de Sàngó, mas perguntou qual o preço que teria que pagar por isso. 

Sàngó, por sua vez, disse que não havia necessidade em lhe pagar, no entanto, deveria, a partir daquele momento, utilizar todas as ferramentas de Sàngó, tais como Osé e o Séré.

"Desse modo, seu povo, ao ver em minhas mãos as mesmas insígnias usadas por você, não contestará a minha autoridade e, reconhecendo os atributos, acatarão as ordens que a eles eu irei transmitir, afirmou Sàngó". 

Aganjú indagou a opinião de Òsun, que já flertava com Sàngó. Òsun disse acreditar ser um bom negócio, podendo desta forma, restabelecer a ordem em seu País. 

Diante disso, Aganjú aceitou a proposta de Sàngó e recebeu do Aláàfìn de Òyó um Séré e um Osé. 

Feito isso, Sàngó impôs no reinado de Aganjú o seu regimento e, Aganjú por sua vez, começou a utilizar-se das ferramentas de Sàngó. Anos depois, Aganjú tornar-se-ia também um Aláàfìn Òyó.

Que Òsùmàrè Arákà esteja sempre olhando e abençoando todos!!!
Ilé Òsùmàrè Aràká Àse Ògòdó

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

MENSAGEM DO DIA

Motumbá meus irmão e minhas irmãs!!!

Hoje venho postar a vocês uma mensagem especial que recebi no meu facebook do meu amigo Jose de Bara, me parabenizando pelo meu aniversário.



Yèyé apara
Mãezinha do movimento da água.

Õbi ìrin bí okun rín ni Ọşun
Mãe da vida, do nascimento, Ọşun é a força do sorriso de alguém

A ji sẹ rí bí e ga
Presenteia com gotas de leite materno, nunca houve tão excelente presente

Yèyé olo omi tútù
Bela mãe dona da água mansa

Apara õjọ bìrí ka le e
Movimento da água efêmera súbitas circulam poderosa

Àgbá õbi ìrin tí gbogbo áyeni pe
Arama, dá o nascimento é a qual todos chamam para obter vida

Sin ọ bá Şọpọnná jẹ
Adoramos ela, absoluta que vence a morte

Pete kì o bà aqlágbara ràn yan nga
Ela tenciona carregar a germinação, pessoa forte altiva alastre seus brilhos em mim

Dídè Ọşun Iyọpọndá 
Suave Ọşun dá muita importância a criação do fluxo da maré

Ẹlẹri pa kọ kọ èní pọn
Testemunha sofrimentos e ensina construir o hoje muito importante

Orí rì oníse Ọba àyíká a şe
Soberana em qualquer tempo cabeça mensageira do ciclo faz

Oje dandan Ọlọrọ o fi àjã
Seiva certa para enriquecer os homens

Wá Ọşun ọmọ-ọba ẹwà
Olhem Ọşun ! Princesa da beleza

Inú ẹkẹ wọ ọmọ olú
Segredos do útero, mestra dos cuidados com criança

Ọşun ìjìyà olú olo odò ìdè
Ọşun mestra da paixão, rio senhora da amarração

Ọyà e ọnà ọna
Pagamento da destreza e da arte

Ọşun ìyá ọmọbíbi
Ọşun mãe do nascimento das crianças

Fé e Respeito




Fé e Respeito:

No último sábado, nós realizamos a enquete: “Quais dos atributos são mais relevantes para os nossos Òrìsàs”? A maioria votou em “Fé e Respeito”. Assim sendo, vamos falar um pouco sobre esses dois importantes atributos, fundamentais e essências nos Terreiros de Candomblé, que se relacionam, mas que infelizmente, nos parece estar ficando para trás. 

A Fé é basilar para um adepto em 
qualquer religião. Mas será que todos estão no Candomblé pela Fé ao Òrìsà? Em verdade, é impossível qualificar ou quantificar a fé de uma pessoa, no entanto, é possível observar algumas ações que demonstram ou não a fé dessa mesma pessoa.

Nos dias atuais, os Sacerdotes, sobretudo os mais tradicionais, sentem-se encurralados diante da desmedida desconfiança de alguns fiéis em relação aos seus ensinamentos e orientações. E isso por um único motivo: A Falta de Fé e de Respeito.

Se hoje, o Sacerdote, por exemplo, não ensinar um ebó que tenha no mínimo 77 ingredientes, sendo que a metade tenha que vir da África, aquilo não lhe servirá, a pessoa julgará falta de conhecimento do Sacerdote. Mas fica a questão, será que a receita com os 77 ingredientes irá ter alguma eficácia diante da pouca fé de quem a realiza?

Aqui em Salvador, escutamos centenas de histórias do povo antigo do Candomblé, as chamadas “mocotonas”, dizendo que em momentos de grandes dificuldades, recorreram às suas Ìyálòrìsàs e elas, após consultar o jogo, lhes disseram: “Minha filha, para esse problema que você está passando, você deve pegar um Acaçá e uma moeda e fazer tal coisa... acredite e tenha fé que tudo vai dar certo”. Essas antigas senhoras, narram essas histórias emocionadamente, com lágrimas nos olhos, falando que respeitaram as orientações e tudo correu bem.

A aclamada Mãe Menininha do Gantois, em correspondência à nossa querida Mãe Simplícia de Ògún a orientou acerca da doença de Mãe Francelina da seguinte forma: “Boa filha de Ogun... quanto a Tia Francelina é um caso quase sem jeito, a doença já tomou conta do corpo dela... ela pode ficar boa, mas será um grande milagre... você passa 1 ekuru grande nela...”.

Um Sacerdote orientar hoje, uma pessoa que passa por grandes dificuldades com um ente querido com um ebó assim, é capaz de ouvir: “O senhor não está dando atenção, meu parente quase morrendo e o senhor me ensina a passar um ekuru? Nesses casos, não há ebó que resolva, pois além dos elementos litúrgicos há um ingrediente transformador de Asè, que se chama Fé. Sem ela nada acontece. Sem falar na falta de respeita para com o Sacerdote. Que penas que pessoas que pensam assim, jamais saberão o poder de um ekuru.

A falta de respeito é evidenciada, por exemplo, quando o Sacerdote joga o Obì em alguma obrigação. Há pessoas que se amontoam por cima de outras só para ver se o Obì “alafiou”. No entanto, essas mesmas pessoas não sabem que existem outras caídas que também mostram o contentamento do Òrìsà e/ou Ancestral. Mas alguns desrespeitosamente ficam à espreita para poder falar: “Viu só, não deu Aláfia”. Se o ouvinte é alguém que conhece e indaga: mais caiu o que? A pessoa logo diz: “Não sei, mas não foi Alafia”... Isso é uma grande falta de respeito e de fé.

Há ainda pessoas que crêem no poder de um acaçá, no poder de um ekuru, no poder de um ovo, mas infelizmente a grande maioria, diante de uma orientação como as relatadas acima, desconfia do Sacerdote, preferindo recorrer às receitas que lhes encante as vistas, mas com pouco ou sem nenhum significado litúrgico.

A pessoa que tem Fé, a fé verdadeira e inabalável, acredita na palavra do Òrìsà. Acredita no poder de um abraço do Òrìsà, acredita que a pipoca de Obaluwaiye cura os males, acredita que o egbo de Òsàlá nos traz a paz, acredita que o Omi Ero de fato apazigua. Acredita no poder de um Ekuru. Mas se a pessoa não tem fé nem respeito, de nada adianta recorrer aos búzios e nem mesmo as receitas mirabolantes.

Nos dias de hoje, é fundamental que as pessoas busquem pela Fé, que as pessoas voltem a se emocionar, que as pessoas voltem a chorar de emoção com a presença de Òrìsà. É essencial que as pessoas voltem a acreditar no Òrìsà e no seu poder. É necessário que as pessoas voltem a respeitar a hierarquia, os mais velhos, os sacerdotes...

Há pessoas que colocam quilos de feijão fradinho nos pés do Òrìsà e nada resolve, mas há pessoas que colocam um punhado de feijão fradinho e tudo da certo... O que difere uma obrigação da outra? A FÉ!

Tenhamos fé e respeito, pois só com esses atributos podemos resgatar a herança dos nossos ancestrais.

Que Òsùmàrè Arákà esteja sempre olhando e abençoando todos!!!
Ilé Òsùmàrè Aràká Àse Ògòdó